Por Redação em 12/11/2020

A adesão de empresas com sede no Brasil à publicação de relatório de emissões foi recorde este ano. Ao todo, 156 companhias divulgaram os dados dentro de sua participação no Ciclo 2020 do Programa Brasileiro GHG Protocol, com dados referentes a 2019. Este número é o maior desde a criação do programa, em 2008. O objetivo do Programa Brasileiro GHG Protocol é estimular as empresas a criar e publicar dados de emissões.

Considerando as emissões de escopo 1, as 156 empresas do inventário foram responsáveis por 14,8% do CO2 emitido  no país em 2019 — sem considerar o volume de gases emitidos pelo desmatamento. Ao todo, as emissões escopo 1 dessas empresas somaram dos 149,9 milhões de toneladas. O número representa um recuo em relação aos 159,9 milhões de toneladas de 2018.

O escopo 1 inclui os gases de fontes das empresas ou controladas por elas. Entram na lista, por exemplo, queima de combustível para geradores ou veículos e emissões em processos industriais.

O setor com mais empresas divulgando seus dados de emissões no último levantamento foi o de indústrias de transformação, com 49 empresas. Mas o programa inclui, ainda, companhias de áreas como educação, construção, comércio, eletricidade e gás, entre outros.

Com dados de emissões, empresas podem entrar em índices de sustentabilidade

No Brasil, o GHG Protocol ajuda as companhias participantes a criar ferramentas para medir as emissões. As empresas podem, então, usar esses dados em relatórios e questionários. Estes abrem espaço para que elas possam entrar, por exemplo, em índices como o ISE, da B3. O ISE checa a o nível de sustentabilidade das empresas. A sustentabilidade é um dos termos que abrem portas para investimento, porque muitos fundos buscam fazer aportes só em ativos com selo verde.

“Parece ser uma medida estratégica para as empresas no médio e longo prazo”, avaliou Guarany Osório, coordenador do programa no Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, conforme o Valor Econômico.

Para se ter uma ideia do avanço na adesão ao programa, no ano de sua criação, apenas 23 empresas com sede no Brasil registraram as emissões.