Por Redação em 05/01/2021

Para especialistas consultados pelo Além da Energia na série Perspectivas 2021, a transição energética no Brasil continuará na pauta da indústria, empresas e governos, sendo um dos motores do processo de modernização do setor elétrico no Brasil.

“A transição energética vai continuar em 2021, ela nunca para. A pandemia chamou atenção para outros meios de trabalhar, de se locomover, portanto a transição não é meramente uma questão de tecnologia, mas é também comportamental”, afirma o especialista em Descarbonização da Área de Transição Energética da ENGIE, David Costa. “Hoje mais do que nunca se fala da transição energética”, reforça.

Para Costa, em nível global, a eficiência energética e uso consciente de energia, com preferência para renováveis, vai ganhar importância. Segundo ele, mais empresas vão buscar reduzir sua pegada de carbono, sobretudo porque investidores de peso estão exigindo essa transição.

“Eles [os investidores] farão pressão para as empresas usarem fontes de energia na qual é possível rastrear a origem, a fonte da energia”, avalia. “A transição vai ocorrer tanto naturalmente quando pelas pressões dos stakeholders, vai ser uma mescla das duas coisas”, conclui.

Transição energética em 2021 tem janela de oportunidades

“Estamos falando de crescimento da representatividade das fontes de geração renovável, de foco na modernização do setor, da implementação de um novo modelo de preços que reflita melhor a realidade operacional da geração e do consumo, e de continuidade da abertura gradual, constante e organizada do mercado”, enumera Rui Altieri, presidente do conselho de Administração da CCEE.

“Mesmo com todas as dificuldades enfrentadas em 2020, o setor elétrico se manteve resiliente e vem apresentando recuperação em velocidade surpreendente. Isso é mais uma prova da maturidade do nosso mercado e da capacidade que temos de criar um futuro de desenvolvimento equilibrado”, avalia.

Altieri afirma que a redução do consumo neste ano deixa uma grande missão para 2021, mas também representa uma janela de oportunidades de debate quanto a importantes temas. Entre eles, a modernização da matriz energética e a substituição de termelétricas mais caras e poluentes por outras ambientalmente mais adequadas, que utilizam combustíveis de origem renovável.

“Além disso, com a resolução do entrave do GSF, temos a chance de focar os nossos esforços nos desafios para os próximos anos”, lembrando a entrada em vigor do PLD Horário em janeiro, considerado por ele um divisor de águas para o setor elétrico brasileiro. “Estamos prontos e realizamos toda a preparação prévia necessária para uma transição tranquila”, afirma.

Transição será impulsionada pela oferta e pela demanda

Para Sandoval Feitosa, diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no Brasil, a transição energética será impulsionada tanto pelo lado da oferta quanto pelo lado da demanda.

“Sob a perspectiva da oferta, haverá forte crescimento das fontes solar e eólica no futuro próximo, visto que mais de 70% da potência outorgada que ainda não está em operação refere-se a essas energias renováveis”, explica, acrescentando que, para dar sustentabilidade a esse crescimento, ajustes regulatórios que estão sendo estudados criarão um ambiente ainda melhor para a transição energética. Dentre eles, o tratamento específico para usinas híbridas, racionalização de encargos e subsídios, separação entre lastro e energia, introdução de preços horários e integração entre gás natural e energia elétrica.

Sob a ótica dos consumidores, segundo o executivo, a ampliação do mercado livre e a modernização tarifária impulsionarão a gestão pelo lado da demanda, viabilizando, de forma sustentável, a inserção de tecnologias disruptivas, como armazenamento, veículos elétricos e geração distribuída.

“Todos esses ajustes que estão sendo estudados e implementados (a maior parte deles já constante da Agenda Regulatória da Aneel) e fazem com que 2021 seja um ano decisivo na criação de um ambiente regulatório virtuoso para ir que a transição energética ocorra de maneira gradual, com sinais de preços adequados, trazendo eficiência global e benefício a toda a cadeia produtiva do setor – poder público, financiadores,  agentes setoriais e os consumidores de energia elétrica”, conclui.

Assista o videocast ou ouça o podcast Além da Energia sobre o tema Transição Energética.