Por Redação em 01/04/2020

Consumo de energia reduz quase 9% durante mês de março. Com a chegada da pandemia do Coronavírus no Brasil, a rotina de trabalho do país mudou, muitas empresas tiveram que suspender suas atividades presenciais ou então adotar o regime de home office para preservar a saúde de colaboradores e familiares.

Confira outros dados de mercado abaixo:

Sumário

  1. Destaques do Mês
  2. PLD (Preço no Mercado de Curto Prazo)
  3. Energia Natural Afluente (ENA)
  4. Energia Armazenada
  5. Geração Mensal de Energia
  6. Indicadores Econômicos

Destaques do Mês

  • ONS verifica redução da carga média no mês de março

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) verificou uma redução da carga média de energia a partir do dia 19 de março no Sistema Interligado Nacional (SIN). A pandemia do Coronavírus mudou a rotina de trabalho no país, afetando, consequentemente, o consumo de energia elétrica.

Dados do ONS mostram que a queda no consumo chegou a quase 9% no dia 22 de março, quando comparado com o domingo anterior.

Abaixo, a redução da carga na penúltima semana de março, sempre comparada ao mesmo dia da semana anterior:

19/03 – Redução de 2,3% ou 1.717 MWmed a menos do que no dia 12/03

20/03 – Redução de 6,0% ou 4.450 MWmed a menos do que no dia 13/03

21/03 – Redução de 8,6% ou 5.869 MWmed a menos do que no dia 14/03

22/03 – Redução de 8,9% ou 5.509 MWmed a menos do que no dia 15/03

Já a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), verificou na segunda-feira (23) uma redução de 18,6% na carga média do país no horário das 9h00, período que geralmente cresce a demanda por energia, quando comparada ao mesmo horário da segunda-feira (16).

 A queda na carga de energia propiciou também a redução na geração das hidrelétricas nos submercados Sudeste/Centro-Oeste e Sul. Esse fato contribuiu para a recuperação do nível de armazenamento dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste e para a manutenção dos níveis dos reservatórios do Sul.

  • Reservatórios do Norte iniciam quarta semana de março com 69,9% da capacidade

Os reservatórios do submercado Norte iniciaram a quarta semana do mês de março com crescimento de 0,9% em seus níveis em relação ao dia anterior, subindo para 69,9%, informou o ONS, a partir de dados da operação do sistema do dia 22 de março. A energia contida afere 10.596 MW e a armazenável está em 80% da Média de Longo Termo (MLT).

No Nordeste do país a vazão saltou 1%, chegando a 73,8% da capacidade. A energia da MLT aparece com 95% e a armazenada aponta 38.107 MW mês. No submercado Sudeste/Centro-Oeste o volume útil apresentou aumento de 0,5%, com o submercado atingindo 48,7%. A energia contida indica 98.613 MW mês e a afluente aparece com 97% da MLT.

Já no submercado Sul a capacidade de armazenamento não sofreu alteração, permanecendo em 18%. A energia afluente admite 25% da MLT, enquanto a armazenada indica 3.574 MW.

  • Aneel abre discussão sobre exclusão do ICMS do cálculo do PIS/Cofins

No dia 17 de março, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) abriu consulta em relação ao tratamento regulatório a ser dado a decisões judiciais sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins nas contas de energia elétrica dos consumidores. A Aneel defende que a mudança beneficie diretamente os consumidores com relação às cobranças futuras do imposto, seja no que se refere à devolução dos passivos.

A consulta deve-se ao fato de diversas concessionárias de distribuição terem obtido decisões judiciais, transitadas em julgado, com a tese de que o ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, gerando créditos tributários. Com a nova interpretação dada pela Justiça nas ações já decididas, cabe à Aneel regulamentar como se dará a mudança nas contas futuras, a devolução dos créditos e o repasse de ambos aos consumidores de energia elétrica.

  • Aneel aprova nova metodologia para cálculo do Fator X associado à produtividade

A Aneel aprovou no dia 17 de março a revisão metodológica do Fator X associado à produtividade (componente Pd), a ser aplicado às distribuidoras de energia elétrica a partir de 2020, bem como as novas versões dos Submódulos 2.5 e 2.5A dos Procedimentos de Regulação Tarifária (PRORET).

O objetivo da nova metodologia é refletir o histórico recente dos ganhos de produtividade do seguimento de distribuição de energia elétrica e as variações conjunturais do mercado, nos reajustes tarifários anuais, a depender do contrato de concessão em análise.

Estima-se que, com a proposta aprovada, haverá decréscimo de 0,1% nas tarifas dos consumidores, o que representa cerca de R$ 253 milhões ao ano.

PLD (Preço no Mercado de Curto Prazo)

Da segunda para a terceira semana de março observou-se uma pequena redução no PLD para todos os subsistemas do SIN.

Preço de Liquidação das Diferenças

 Fonte: CCEE

O PLD valora a energia comercializada no mercado de curto prazo, sendo determinado semanalmente para cada patamar de carga e submercado, baseado no Custo Marginal de Operação (CMO), limitado aos valores máximos e mínimos definidos pela Aneel.

No gráfico abaixo são apresentadas as séries históricas do PLD e do CMO nos últimos 18 meses. De forma geral, observa-se que as duas séries históricas apresentam o mesmo perfil, exceto para os meses em que o CMO é mais elevado do que o PLD máximo, sendo a diferença convertida em encargos. Em março deste ano, como o CMO no submercado Norte alcançou o valor de R$ 0,00/MWh, o PLD foi o valor piso de R$ 39,68/MWh. Para o submercado Sudeste/Centro-Oeste, o CMO e PLD fecharam a segunda semana do mês em R$ 87,91/MWh e R$ 88,46/MWh.

Preço de Liquidação das Diferenças

Fonte: CCEE e ONS

Energia Natural Afluente (ENA)

O custo de operação do sistema brasileiro leva em conta as previsões de vazão mensal ou Energia Natural Afluente (ENA), revisada semanalmente pelo ONS.

A previsão de ENA realizada no mês de fevereiro se mantém com comportamento similar a previsão realizada no mês anterior, porém a expectativa mostra-se um pouco reduzida.

Energia Natural Afluente

Fonte: CCEE

Energia Armazenada

Em relação à energia armazenada do SIN, no gráfico abaixo são apresentados os níveis de armazenamento dos anos de 2019 e 2020 e a previsão de armazenamento da CCEE. Além disso, são apresentados níveis mínimos e máximos de armazenamento e a média histórica do período de 2000 a 2019.

A previsão da CCEE para a energia armazenada no ano de 2020, representada pela linha vermelha, mostra-se acima dos valores concretizados no ano anterior (linha azul) durante todos os meses do ano, chegando a superar a média histórica nos meses de maio a outubro. Atualmente, os níveis de armazenamento estão em 42,8% de acordo com os dados disponibilizados pelo ONS.

Fonte: InfoPLD da CCEE

Geração Mensal de Energia

As principais fontes de energia no Brasil são hidrelétricas, seguida pelas termelétricas e eólicas. No gráfico abaixo estão apresentados os volumes de energia gerados na primeira quinzena de março de 2020 em comparação com o mesmo período do ano passado.

Observa-se que a geração hidráulica apresentou crescimento de 7,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, já a geração térmica teve queda de 20%. A fonte Eólica apresentou redução de 38,9% e a Fotovoltaica um aumento de 17,9%.

Geração Mensal

Fonte: Infomercado CCEE

Indicadores Econômicos

Nos gráficos abaixo observam-se as expectativas dos indicadores econômicos IPCA, IGP-M, Crescimento do PIB e Produção Industrial para 2020 e 2021, de acordo com os dados divulgados pelo Banco Central.

Para 2020, a expectativa da mediana do IPCA caiu de 3,20% para 3,04% entre a última semana de fevereiro de 2020 e a última semana de março de 2020. Para o ano de 2021, a expectativa é de 3,60%

Para março de 2020, a expectativa da mediana do IGP-M é de 4,12%, para 2021 a expectativa é de 4,00%.

A expectativa de crescimento do PIB apresentou queda em 2020, passando dos 2,20% de fevereiro para 1,48% na penúltima semana de março. Para 2021 se manteve em 2,50%

A expectativa de Produção Industrial para o ano vigente também apresentou redução, fechando em 1,00%, já para 2021 a expectativa se manteve em 2,50%.

Indicadores Economicos

 Fonte: Boletim Focus do Banco Central do Brasil

As análises aqui apresentadas têm a finalidade única de informação e não devem ser tomadas como uma recomendação, oferta, aconselhamento ou solicitação de compra, ou venda de energia. A ENGIE não se responsabiliza pela utilização destas informações, nem tampouco pela sua exatidão, precisão ou completude. A decisão de compra ou venda de energia é de sua exclusiva responsabilidade e não deverá se basear no conteúdo deste Boletim InfoEnergia.