Por Redação em 01/04/2021

Técnica de Operação na Jirau Energia, Suellen Silva, nasceu na cidade de Santos Dumont, Minas Gerais, mas aos quatro foi morar em Juiz de Fora, também Minas Gerais, onde sua família mora até hoje. “Éramos eu, meu irmão, minha mãe, meu avô e minha avó “, recorda.

Após não ter passado no primeiro vestibular, como uma possibilidade de entrar no mercado de trabalho de forma mais rápida, Suellen prestou concurso para o Colégio Técnico Universitário (CTU-UFJF), hoje IF Sudeste MG. Escolheu o curso de Eletrotécnica pela facilidade com a matéria de eletricidade, no ensino médio. “Quando soube que fui aprovada fiquei muito contente “, conta.

Quase no final do curso, uma empresa que atuava nas áreas de produção, operação e manutenção elétrica selecionou alguns alunos do curso para participarem de uma Formação de Operadores de Usina. Após o curso, a empresa já oferecia o estágio em uma usina, com a possibilidade de ser efetivado. Suellen foi uma das selecionadas a participar do curso, posteriormente, entrando para o mercado de trabalho.

“Mas antes de concluir o curso técnico, trabalhou como vendedora, recepcionista, manicure, caixa de supermercado e auxiliar administrativo”, conta.

Antes da ENGIE, como eletrotécnica, fez estágio em uma empresa que trabalhava com projetos de eficiência energética. “Comecei como estagiária na UHE Candonga (Rio Doce-MG), fiquei como operadora na UHE Porto Estrela (Joanésia-MG) e como supervisora de operação na UHE Salto (Caçu-GO). Depois, vim para a UHE Jirau como Técnica de Operação, e estou aqui há oito anos”, conta.

Suellen conta que, durante esses oito anos, teve muitas oportunidades. “Comecei na área de pré-operação, depois fui para o campo na área do Tempo Real, e depois fui trabalhar no turno, na Sala de Controle, pelo Tempo Real também”, explica. “Tenho adquirido bastante conhecimento e evoluído de forma gradativa e com solidez, e mesmo sabendo que ainda tenho muito a aprender, acredito que, com persistência e sabedoria, posso evoluir cada vez mais. A empresa/usina é grande, com muitas pessoas e muitos processos, é um grande desafio”.

“No dia a dia, me divido no papel de mãe (que eu amo!), esposa, cidadã e Técnica de operação”, conta. “Continuo buscando conhecimento, tentando melhorar como pessoa e profissional. Terminei minha graduação em Matemática (uma paixão antiga) e hoje faço Engenharia Elétrica e uma Pós, simultaneamente”.

Empresas não tem obrigação de contratar uma mulher por ser mulher, e sim pela capacidade profissional

Para Suellen, apesar de muitas empresas, especificamente do setor elétrico, estarem abrindo espaços para a contratação de mulheres, ainda existem barreiras para a entrada das mulheres no mercado de trabalho.

“Acredito que a maior das barreiras, seja a nossa cultura, ainda enraizada, com o preconceito e o julgamento da capacidade feminina”, afirma. “Vejo que dentro de casa, no próprio ambiente familiar, existem barreiras que impedem ou dificultam que as mulheres sejam o que podem ser lá fora, longe das tarefas domésticas e familiares”, reforça.

Para Suellen, o problema não se resume a “uma ou outra empresa”, ou “desse ou daquele setor”. “O problema é aquela pessoa que está na empresa, que já vem de casa com pensamentos preconceituosos e de julgamento, e que dissemina esse tipo de coisa. Pessoas que não aceitam ser lideradas por uma mulher. Pessoas que não aceitam que uma mulher possa tirar uma nota maior que elas. Pessoas que questionam processos porque uma mulher venceu. Pessoas que questionam se você engravidou para segurar o emprego. Pessoas que questionam a promoção de uma mulher insinuando que ela tenha feito ‘algo a mais'”, afirma.

Ela observa que as empresas não tem obrigação de contratar uma mulher por ser mulher, e sim pela capacidade profissional. “Não é nada legal perceber que por ser mulher, uma pessoa não foi contratada”, observa.

Suellen diz que, olhando para a história, percebe que muitas amarras vêm sendo tiradas, e isso dá força o suficiente para a mulher questionar algumas ações ou termos, que hoje, são considerados absurdos. “Com isso, acredito que conseguiremos educar uma geração com menos preconceitos e julgamentos, com relação, não só às mulheres, mas às diferenças de um modo geral”, avalia.

“As empresas do setor devem incentivar a contratação de mulheres e enfatizar a importância do respeito e da educação para com as pessoas”, observa. “Corrigir as atitudes falhas dentro da empresa, podem dar mais segurança e coragem, assegurando o empoderamento das mulheres”, conclui.