Por Redação em 31/08/2020

O grupo ENGIE está preparando os seus objetivos não financeiros, ou de desenvolvimento sustentável, para o ano de 2030. E o Brasil, cada vez mais relevante dentro do grupo, tem papel importante no atingimento desses objetivos. Em entrevista ao Além da Energia, o diretor-presidente da empresa listada da ENGIE na B3, ENGIE Brasil Energia, Eduardo Sattamini, detalhou as ações na área de sustentabilidade, segurança, meio ambiente, diversidade e descarbonização. “Os próprios investidores estão cada vez mais interessados nesses assuntos quando avaliam uma empresa. Nós estamos nos principais índices de sustentabilidade e isso faz com que a sustentabilidade já esteja em nosso DNA”, afirmou.

Como a companhia está se preparando para atingir os objetivos não financeiros que estão sendo preparados pelo grupo?

Quem conhece a nossa história, sabe que temos uma grande atuação na área de sustentabilidade, governança e meio ambiente, os pilares que norteiam os objetivos não financeiros do grupo. Temos uma grande atenção à nossa inserção na comunidade, no gerenciamento de stakeholders, e mais recentemente com diversidade.

diversidade

Diversidade é um dos objetivos não financeiros, como é a atuação da companhia nessa área?

Quando eu assumi como diretor-presidente da companhia não tínhamos nenhuma gerente mulher. Hoje, são quatro. E queremos continuar crescendo este número. Na nossa sede, em Florianópolis, quase 50% da força de trabalho é representada por mulheres. Nas usinas, esse percentual acaba sendo menor pela natureza do trabalho.

Quais são as ações para garantir esse aumento de diversidade?

Recentemente, nós colocamos como obrigatória a participação de mulheres nos processos seletivos. Identificamos também a deficiência na formação de mulheres para área operacional. Temos feito programas de visitas com estudantes nas nossas usinas, buscando que as meninas sejam atendidas por profissionais mulheres. A ideia é que essas meninas vejam o trabalho de profissionais mulheres nas usinas e se identifiquem com elas. É preciso quebrar a ideia de que o trabalho nesses locais é estritamente masculino.

Quais são os desafios para atingir as metas de diversidade?

Elas requerem um trabalho de base bastante complexo. Por exemplo, é difícil mudar a cultura brasileira para que se atraia mais mulheres para a atividade de engenharia. Você continua tendo um percentual muito pequeno de mulheres na carreira técnica. Por isso, promovemos parcerias, palestras, participamos de fóruns, com o objetivo de estimular as mulheres nesse mercado.

Como fazer para melhorar a formação técnica e acadêmica das mulheres?

Nós tentamos fazer em nossos empreendimentos em Campo Largo uma turma de Senai, de formação de operadores mantenedores de mulheres. Mas aí, encontramos outro problema: a falta de mulheres com formação básica nesses locais que estamos inseridos. Isso gera uma certa frustração.

Como a ENGIE atua nessa área de formação?

Nós temos que suprir a deficiência do Estado por uma necessidade normal da companhia. Por exemplo, em Campo Largo identificamos um número muito grande de analfabetos funcionais e plenos e fizemos um programa de alfabetização de jovens e adultos. A primeira etapa disso foi fazer exame médico nas pessoas, porque várias delas tinham dificuldade em enxergar e não tinham óculos. Nós reconhecemos nossa função social, ela faz parte do nosso orçamento. Mas não tenho como substituir o Estado. Fazemos tudo dentro das nossas possibilidades.

Como esse trabalho de responsabilidade social se estende à cadeia de fornecedores?

Temos ações que já são antigas, como o combate ao trabalho escravo, infantil. Mas a gente vem também aumentando as exigências como a melhoria da qualidade de saúde e segurança dos fornecedores, compromissos com ética, equidade. Temos ações mais recentes como o uso de tecnologia, por empresas que fazem busca de dados e ethical check automatizados. Pouco a pouco, vamos colocando mais exigências para impulsionar os fornecedores a terem o padrão adequado aos objetivos não financeiros do grupo.

E na área ambiental, como as ações se comunicam com os objetivos não financeiros?

A gente vem, por exemplo, reduzindo o consumo de água nas nossas unidades, com utilização de água de percolação das barragens de nossas hidrelétricas. Temos programas de plantios de mudas, preservação de nascentes e uma série de ações que envolvem as comunidades onde estamos, dando um cunho educacional às nossas ações.

Recentemente, a ENGIE divulgou um refinamento da estratégia global da empresa, ampliando as metas de descarbonização, como isso se comunica com o Brasil?

Quanto a esse assunto, a estratégia do grupo não mudou. Temos um objetivo de neutralização de carbono dos clientes e para isso eu preciso gerar com fontes de baixo carbono. Claro que eu preciso entender que por trás da geração a carvão, por exemplo, tem um aspecto social envolvido, englobando pessoas e toda uma cadeia de fornecedores. Nesse contexto, estamos buscando uma solução equilibrada tanto na questão social, quanto ambiental e econômica.

Biogás e hidrogênio estão na pauta do Brasil?

O biogás está muito mais ligado à política nacional de resíduos sólidos do que com a geração de energia. À medida que você tenha uma privatização dos serviços de saneamento, talvez você tenha uma maior possibilidade de ter esse insumo. Combinando isso com a modernização regulatória da área de gás, o biogás pode acabar sendo beneficiado. Mas ainda precisa dessa maturidade de mercado. Quanto ao hidrogênio, embora tenha oportunidades específicas no Brasil, vejo essa discussão mais voltada para o exterior.

Como você vê o futuro do mercado de energia brasileiro diante de uma série de modernizações, como o PLD Horário, abertura do mercado livre, etc?

Somos um dos grandes promotores dessa modernização do mercado de energia brasileiro. Viemos de um modelo que serviu muito bem ao crescimento da indústria, mas hoje ele precisa ser revisto. Por exemplo, o PLD Horário atua para beneficiar o mercado tanto pelo lado da oferta quanto da demanda. O modelo hoje não valoriza a flexibilidade da fonte energética, o que resulta em algumas ineficiências dos dois lados. O PLD horário tem diversas virtudes, entre elas, otimizar o dimensionamento da infraestrutura. Pelo lado da oferta, você vai poder gerar energia solar dentro do horário onde a demanda acontece. Ou seja, com ele, você aloca melhor os recursos dos novos projetos. E muitas outras modernizações que estão por vir visam a tornar o mercado mais competitivo e transparente, como, por exemplo, a queda de subsídios que não são necessários.  E isso tudo se conecta com a transição energética para uma economia de baixo carbono.

Objetivos não financeiros

O Grupo ENGIE pretende anunciar até o início de 2021 seus objetivos não financeiros para o ano de 2030. Serão, ao todo, 19 metas destinadas a ampliar não só os impactos positivos da companhia na sociedade, como também os benefícios para o meio ambiente e para a população no entorno dos projetos. E, assim, estar alinhada aos objetivos de desenvolvimento sustentável estabelecidos pelas Nações Unidas.

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