Por Redação em 25/01/2021

A B3, bolsa de valores do Brasil, planeja incluir a agenda ESG nas discussões sobre reformas nas regras de admissão de empresas no Novo Mercado, o segmento com níveis mais exigentes de governança.

“As próximas discussões sobre regras do Novo Mercado podem incluir temas como ESG”, afirmou o presidente-executivo da companhia, Gilson Finkelsztain, em transmissão on-line para jornalistas.

Sigla em inglês do conjunto de boa conduta corporativa em governança e em práticas socioambientais, o ESG ganhou expressão nos últimos anos, com grandes agentes globais adotando o conceito como critério para comprar ações de empresas.

Em 2005, a B3 criou o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). Iniciativa pioneira na América Latina, a ferramenta avalia a performance das empresas listadas na B3 sob o aspecto da sustentabilidade corporativa, baseada em eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa.

Na transmissão, a B3 informou que deve criar em 2021 um índice com foco maior em questões sociais.

Índices de sustentabilidade da B3 passam por uma revisão significativa

Os índices de sustentabilidade da B3 passam por uma revisão significativa. Tanto o ISE quanto o ICO2 – Índice de Carbono Eficiente – sofrerão mudanças que os tornarão mais aderentes à realidade dos temas ESG.

Em entrevista exclusiva ao Além da Energia, em julho do ano passado, a superintendente de Sustentabilidade da B3, Gleice Donini contou como serão essas mudanças e seus impactos no mercado.

De acordo com a executiva, o questionário do ISE, por exemplo, será dividido por setor.

Atualmente, as empresas de todos os setores respondem a um mesmo questionário de cerca de 330 questões sobre suas práticas, divididas em sete dimensões – Geral, Natureza do Produto, Governança Corporativa, Econômico-Financeira, Social, Ambiental e Mudança do Clima.

A partir deste ano, as empresas seguirão uma trilha de perguntas que conversam diretamente com as questões materiais para sua gestão. “Isso vai facilitar a análise tanto para o investidor, quanto para a empresa, que poderá ter uma visão muito mais detalhada das suas práticas de acordo com a sua área de atuação”, explica.

Segundo Donini, a B3 irá adicionar, ainda, ferramentas de big data para capturar informações das companhias para ajudarem nesse processo de decisão e de informações mais relevantes para o próprio investidor.