Por Redação em 27/11/2020

O mercado de bicicletas elétricas no Brasil cresceu 34% ao ano entre 2016 e 2019. Os números são de um estudo da associação Aliança Bike em parceria com o Laboratório de Mobilidade Sustentável da UFRJ(Labmob/UFRJ). E a tendência de crescimento se manteve em 2020, apesar da pandemia de Covid-19. O relatório aponta que, de janeiro a junho deste ano, a média mensal de importações ficou 28% acima dos números de 2019.

Também chamadas de e-bikes, elas representam um meio de transporte mais limpo do que uma moto, por exemplo, e que exige menos esforço físico do que uma bicicleta convencional.

Mas não são só os motociclistas os potenciais “convertidos” às e-bikes. Segundo o estudo, 56% dos entrevistados que usam as bicicletas elétricas para trabalhar ou estudar antes faziam o trajeto de carro.

No exterior, os serviços de aluguel de bicicletas elétricas são comuns. Em alguns lugares, é possível o aluguel por meio de apps, como no caso da Jump, start-up que o Uber comprou há alguns anos.

No Brasil, locadora de veículos oferece bicicletas elétricas

Já em Portugal, por exemplo, cidades como Lisboa, Cascais e Sintra têm empresas que, além do aluguel convencional, têm opções de tours nas bikes elétricas. Na Espanha, há, inclusive, pacotes especiais para quem quer fazer o famoso Caminho de Santiago sobre duas rodas.

Em São Paulo, algumas empresas oferecem a opção de um serviço de assinatura de bicicleta. Assim, o cliente paga a mensalidade, mas pode ficar com a e-bike em casa. Até mesmo a empresa de aluguel de carros Movida oferece um serviço do tipo.

Além disso, desde setembro deste ano, o Rio tem um serviço de aluguel de bicicletas elétricas como parte do sistema de aluguel das “laranjinhas” do Itaú. O projeto, contudo, ainda é um piloto, diz o UOL.

Para Kevin Alix, gerente de desenvolvimento de negócios da ENGIE, o compartilhamento de ativos representa o futuro. “Tudo que é ativo compartilhado é o futuro. O Uber veio para mostrar isso e, com as bicicletas, isso não é diferente”, avalia.

Ele acredita também que a pandemia de Covid-19 pode, sim, dar um novo impulso às e-bikes porque “vai ter mais gente buscando alternativas ao transporte público, que costuma ter mais aglomerações de pessoas”. Assim, a bicicleta surge como uma opção viável para as distâncias mais curas.

Ele vê, contudo, a falta de estrutura nas cidades do Brasil como um fator que freia uma adoção mais ampla das bicicletas. E ressalta a importância de ciclovias mais separadas de carros e ônibus para garantir a segurança dos usuários.

Ainda com relação aos entraves ao avanço das bicicletas elétricas no Brasil, o estudo da Aliança Bike lembra da alta carga tributária. De acordo com o texto, as e-bikes pagam Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 35%, enquanto para as bicicletas convencionais essa taxa é de 10%.