Por Redação em 09/10/2020

O fundador da Microsoft, Bill Gates, afirmou que a pandemia de Covid-19 mostra “como a inovação é necessária para evitar um desastre climático”. Em artigo publicado na rede social LinkedIn, o empresário comparou as dificuldades econômicas dos últimos meses às mudanças no clima e defendeu mudanças no transporte, para que o mundo conte uma economia de baixo carbono.

“Por mais difícil que seja imaginar agora, enquanto ainda estamos em meio à pandemia, a mudança climática tem o potencial de ser ainda mais devastadora”, afirmou.

Para Gates, é necessário evitar a emissão de gases do efeito estufa para conter a mudança climática. E isso deve incluir o transporte, porque, segundo ele, nos EUA, este é o principal fator que contribui para as emissões de carbono. Portanto, descarbonizar o transporte “é essencial” para zerar as emissões.

Transporte com menos carbono: transformação não é tão simples

Para Gates, o objetivo não é, necessariamente, reduzir os deslocamentos. Ele defende, no entanto, a redução do uso de carros e aviões, quando possível.

O fundador da Microsoft lembra que, para pessoas em países muito pobres, o transporte de produtos é essencial para a sobrevivência. E que, para garantir que elas possam continuar seus negócios, é importante que as opções de transporte sejam acessíveis. Segundo ele, o preço do quilômetro rodado com gasolina e diesel é baixo. Por isso eles são tão usados.

Logo, a forma de reduzir emissões, segundo ele, seria usar energia limpa em todos os veículos possíveis. E obter uma opção barata de combustível para todos os outros. Ele reconhece, entretanto, que, embora a resposta seja simples, torná-la realidade não o será.

Sobre os veículos elétricos, Gates comemorou a redução de 85% no preço das baterias desde 2010. Além disso, lembrou que há cada vez mais opções destes veículos disponíveis.

“Muitas empresas estão desenvolvendo baterias melhores e baratas que, espero, irão tornar os veículos elétricos uma opção realista para todos os donos de carros”, escreveu.

Inovar para baixar custos

Contudo, diz Gates, veículos pesados e que cobrem longas distâncias precisam de uma solução diferente. “É aí que entram as alternativas de combustíveis baratos”, observa.

Entre as alternativas, ele cita os biocombustíveis e os avanços nesta área desde a invenção do etanol. No entanto, Gates ainda vê entraves à substituição da gasolina por esta opção.

Outra possibilidade é o hidrogênio. “Usando eletricidade para combinar as moléculas de hidrogênio com o carbono do dióxido de carbono, podemos criar um combustível líquido que funcione nos motores existentes”, explicou. Como o processo usa o CO2 da atmosfera, não há emissões extras. Mas, assim como no caso dos carros elétricos, o preço ainda é um fator limitante. Conforme o artigo, eles podem custar de 3 a 7 vezes mais que as fontes fósseis.

“Essas tecnologias (carros elétricos e hidrogênio como combustível) precisam ficar muito mais baratas do que são hoje. Isso significa encontrar formas de produzi-las em escala e de garantir que elas tenham desempenho comparável a de seus equivalentes fósseis”, concluiu.