Por Redação em 07/07/2021

A tecnologia blockchain se tornou conhecida no mercado financeiro, especialmente na área de criptomoedas. De forma simplificada, ela funciona como uma grande cadeia de blocos, na qual cada um deles tem um código, que precisa ser validado para se unir aos demais. Esses blocos são encadeados de forma cronológica, criando um registro de todas as transações realizadas. Todas as operações podem ser acessadas pela rede e existem alguns mecanismos que garantem o consenso (ou seja, a credibilidade) dos dados armazenados.

Assim, o sistema é transparente, seguro e reduz os custos de operação, uma vez que não há intermediários. Levando isso para a área de energia elétrica, os benefícios seriam os mesmos. A energia distribuída, gerada, por exemplo, por meio de painéis solares, poderia ser comercializada diretamente, ponto-a-ponto, entre produtores e consumidores, sem o controle direto por parte da concessionária.

Isso pode beneficiar especificamente o setor industrial, que responde, hoje, pela maior fatia do consumo de energia no país (quase 40%), segundo relatório da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Blockchain pode gerar economia e receita para a indústria

A tecnologia poderia mostrar caminhos para que as indústrias invistam em estratégias de economia de energia. Assim, o excedente seria fonte de receita direta. “O modelo descentralizado de comercialização e distribuição de energia daria às indústrias e aos próprios consumidores a possibilidade de negociar a compra e venda de energia”, escreveu o especialista de produtos e aplicação da Mitsubishi Electric, Pedro Okuhara, em artigo publicado na página Automação Industrial.

Segundo ele, caso seja aprovada a proposta enviada pela comissão de infraestrutura do Senado à Câmara Federal, abordando que os consumidores escolhem de quem vão comprar a energia, a blockchain poderá facilitar as negociações. Isso permitiria que os preços acompanhassem a oferta e a demanda. “Em poucas palavras, as indústrias poderiam vender seus excedentes de energia a terceiros, com base em um contrato mutuamente acordado, tudo dentro da legalidade”, disse Okuhara.