Por Redação em 03/04/2020

Contexto

Os esforços de reduções das emissões de gases do efeito estufa no Brasil diante de uma matriz elétrica que já é bastante renovável e representa um percentual mínimo das emissões de gases do efeito estufa no país.

Os esforços de reduções das emissões de gases do efeito estufa no Brasil deveriam se concentrar nos setores que mais contribuem para essas emissões, a saber, o desmatamento e a agropecuária. A avaliação é do presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales, para quem a simples transposição para o Brasil de estratégias adotadas em outros países não surtirá o efeito desejado no país.

“As ambições climáticas brasileiras só serão adequadamente satisfeitas por meio de estratégias que guardem relação direta com nosso perfil de emissões. Portanto, são inoportunos os discursos pré-fabricados e originários de regiões com realidades distintas da nossa”, afirma o executivo.

Os dados de emissões globais confirmam sua tese. Por exemplo, nos três maiores emissores globais – China, Estados Unidos e Índia – a participação da geração elétrica nas emissões totais supera 25% de cada país individualmente. Já o setor elétrico brasileiro responde por apenas 1,9% das emissões totais do país. Se considerado todo o setor de energia, que engloba transportes, indústria e produção de combustíveis, a fatia no total das emissões ainda não chega a 25%.

De acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases do Efeito Estufa (Seeg), as emissões totais brasileiras se mantiveram estáveis nos últimos dez anos – por volta de 2 bilhões de toneladas anuais. E as do setor elétrico estão em queda nos últimos três anos.

As ambições climáticas brasileiras só serão adequadamente satisfeitas por meio de estratégias que guardem relação direta com nosso perfil de emissões. Portanto, são inoportunos os discursos pré-fabricados e originários de regiões com realidades distintas da nossa

A baixa intensidade de carbono na matriz elétrica brasileira se deve principalmente ao parque de hidrelétricas e termelétricas movidas a biomassa, que fornecem três quartos de toda a eletricidade consumida no país. O crescimento das fontes eólica e solar também tem contribuído para manter as emissões reduzidas no setor.

Enquanto as emissões do setor elétrico brasileiro permanecem baixas, em 2018, as atividades “mudanças no solo” – que englobam o conceito de desmatamento – e “agropecuária”, responderam, respectivamente, por 44% e 25% das emissões. E são esses os setores que devem ser priorizados, acredita o executivo.

+Leia também: Governo sul-australiano espera cortar emissões em 50% até 2030

Setor elétrico tem desafio de integrar renováveis intermitentes

Sales afirma que esses dados não eximem o setor elétrico de responsabilidade, mas que é preciso reconhecer que os investimentos brasileiros em geração elétrica resultam de uma matriz de baixo carbono.

Além disso, ele lembra que o setor não está parado e que os desafios para manter baixa a emissão de gases do efeito estufa na matriz elétrica brasileira demandarão massivos investimentos e soluções de alta complexidade. Exemplo disso é a crescente necessidade de integração entre fontes renováveis intermitentes – eólica e solar – e as fontes hidrelétrica e termelétrica.

As soluções a serem apresentadas para o Brasil, portanto, devem considerar esses dados. “Soluções baseadas em diagnósticos incorretos não levam a resultados eficientes. Ao definirem o setor elétrico como alvo prioritário, grupos que defendem políticas climáticas mais restritas parecem ignorar o fato que seus esforços de advocacy surtiriam efeitos mais contundentes se fossem direcionados para os setores que mais emitem gases de efeito estufa no Brasil”, pontua o executivo.

Créditos de Carbono

A ENGIE  possui projetos de energias renováveis registrados no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) que podem compensar as emissões de gases de efeito estufa com empresas parceiras. Um destes projetos é a Usina Hidrelétrica de Jirau, de 3.750 MW, está localizada em Porto Velho, Rondônia, no Rio Madeira. A ENGIE tem  participação de 40%, é a sócia majoritária do consórcio responsável pela usina, Eletrobras Eletrosul (20%), Eletrobras Chesf (20%) e Mizha Participações S.A. (20%).

Uma das parcerias recentes foi realizada com o Rio Open, maior torneio de tênis da América do Sul, que compensou as emissões do evento, cerca de 1.080 toneladas de gases estufa, o que corresponde ao plantio de 6.600 mil árvores por ano, em fevereiro de 2020. Os créditos de carbono foram gerados pela Usina Hidrelétrica de Jirau. No total, a usina sequestra 6 milhões de m3 equivalentes de carbono.

 

Créditos de carbono

A ENGIE desenvolve ativamente iniciativas de baixo carbono, alinhadas com os pilares estratégicos do Grupo de Descarbonização, Descentralização e Digitalização, bem como com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pelas Nações Unidas. A empresa oferece soluções para a descarbonização de seus clientes e das próximas gerações, incluindo: créditos de carbono, contratos de energia renovável (ENGIE-REC) e certificados de energia renovável (I-REC).

Saiba mais