Por Redação em 18/05/2021

A cidade de Cascavel tem um aterro sanitário padrão, incluindo o sistema de drenagem do biogás produzido a partir da decomposição dos resíduos orgânicos. Hoje, 20% do biogás produzido é integrado ao sistema de distribuição de energia da região e, com isso, a prefeitura recebe uma compensação que fornece energia para duas dezenas de unidades consumidoras do município. Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), a produção média de bioenergia do aterro oscila entre 90 a 100 mil quilowatts hora (kWh), o que leva a uma economia mensal de R$ 60 mil a R$ 65 mil/mês para o município. Agora, a cidade quer ampliar o nível de produção.

De acordo com Elmo Rowe Júnior, engenheiro químico da Sema, a produção de bioenergia começou em 2007 e durante dez anos foi usada apenas internamente. A partir de 2017, ela passou a ser conectada à concessionária, ativando o mecanismo de compensação.

Cidade deve aumentar economia com energia

O especialista explica que a ideia da administração municipal é aproveitar todo o biogás gerado, incluindo os 80% que hoje são queimados. Com a ampliação do sistema, serão instalados mais geradores na usina.

Os números da Sema indicam que a cidade tem autorização para injetar 150 kWh na rede da distribuidora e, com a expansão, a meta é chegar, inicialmente, a 300 kWh. Na sequência, a administração deve entrar com um novo pedido de parecer de acesso para que possa utilizar todo o biogás produzido no aterro.

Pelas estimativas de Rowe Júnior, caso a produção da usina atinja o nível de 1 MWh, ela poderia gerar uma economia mensal de consumo de energia de R$ 500 mil para a prefeitura de Cascavel.

O engenheiro destaca que os investimentos para a ampliação da usina somam R$ 690 mil e que a obra está com 42% do projeto já executado (dados de abril 2021). A expansão envolve mudanças na usina, inclusive a retirada de uma rede interna de eletricidade. “Poderemos fazer um projeto novo de ampliação e as áreas encerradas nos anos anteriores poderão receber mais resíduos e com isso, aumentar a vida útil do aterro sanitário”, argumenta Rowe Júnior.

biogas

Cascavel foi uma das pioneiras no Paraná

O aterro sanitário de Cascavel entrou em operação em 1996, utilizando uma área de 13,78 hectares. A cidade foi a segunda do Paraná a implantar o sistema de destinação de resíduos sólidos, depois de feitos os estudos de impacto ambiental e no solo. O aterro recebe cerca de 300 toneladas de lixo domiciliar, comercial e do setor de serviços por dia. Estima-se que 35% deste total poderia ser reciclado.

A principal diferença do aterro para o lixão a céu aberto está nos investimentos em engenharia e controle sanitário da disposição dos resíduos, eliminando a presença dos catadores nos lixões. O aterro tem sistema de vigilância 24h e raramente encontram-se aves como urubus nas células de disposição dos resíduos. Isso acontece porque há um trabalho adequado de cobertura e manejo do lixo. Toda a produção de chorume é tratada, sendo o biogás transformado em energia.

Desde a sua implantação, o aterro sanitário de Cascavel passou por duas ampliações com aquisições de novas áreas para atender a demanda de produção de resíduos gerados no município. O projeto foi desenvolvido por técnicos da Secretaria de Meio Ambiente e desde 2010 passou a contemplar todas as normas técnicas referentes aos aterros sanitários e sua operação. A previsão é de que o aterro sanitário tenha mais oito anos de vida útil.