Por Redação em 22/07/2021

O Ibama divulgou um mapa sobre os projetos de usina eólica offshore em licenciamento. O mapeamento foi feito no início de junho pelo analista Mozart Lauxen e mostra 20 empreendimentos. Os estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul são os que puxam as iniciativas, cada um deles com quatro parques cada.

Perfis e capacidade dos projetos de energia eólica offshore

Os empreendimentos Caucaia e Asa Branca, ambos no Ceará, têm os processos de avaliação mais antigos, respectivamente de 2016 e 2017. O mais distante da costa é o projeto Maravilha, do Rio de Janeiro, desenhado para instalação a 26 km do litoral. O mais próximo é o de Nova Energia, na Bahia, distante 200 metros da costa.

O maior empreendimento em capacidade de geração, segundo os dados do Ibama, seria o projeto Ventos do Sul, da Ventos do Atlântico, com instalação no Rio Grande do Sul, com 6.507 MW. Seriam 482 unidades geradoras ativadas a uma distância de 21 km da costa.

O mesmo empreendedor é dono do segundo maior projeto em capacidade, com 5000 MW e a 12 km da costa do estado do Rio de Janeiro. O terceiro maior projeto deve ser instalado em Aracaju e tem 3.840 MW de capacidade, sendo de propriedade da Equinor Brasil Energia. Três projetos de 3000 MW cada estão na lista dos maiores: Jangada (Ceará), Maravilha (Rio de Janeiro) e Águas Claras (Rio Grande do Sul), todas da Força Eólica do Brasil.

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Empreendedores e tipos de equipamentos mais cotados

Em números de projetos em licenciamento, a Ventos do Atlântico é o maior empreendedor, com cinco iniciativas distribuídas na costa brasileira. A Bosford Participações tem quatro empreendimentos em licenciamento no Ibama, sendo dois deles no Nordeste (Rio Grande do Norte e Piauí), um no Rio de Janeiro e o quarto no Rio Grande do Sul. Já a Força Eólica do Brasil também adota o mesmo perfil de diversificação regional e tem os três projetos citados acima. Os dados do Ibama mostram ainda que todos os empreendedores já definiram o tipo de aerogerador para suas usinas, exceto a Equinor (dado de junho de 2021).

As informações do Ibama listam ainda as características principais dos equipamentos que devem ser ativados, caso os projetos avancem no licenciamento. Os de maior capacidade unitária chegam a 15 MW de geração. A média, no entanto, mostra equipamentos de 12 MW e de 13,5 MW. Pontos fora da curva são os projetos Nova Energia, da Sowitec, com apenas um aerogerador de 3,4 MW a 200 metros da costa da Bahia, e o Asa Branca, da Asa Branca, com a previsão de 50 aerogeradores instalados a 3 km da costa do Ceará.

A maior parte dos projetos deverá ter alturas entre 260 m e 268 m. Aguas Claras, no Rio Grande do Sul, tem altura prevista de 278 m, enquanto o projeto Nova Energia estima ativar sua infraestrutura de 198 m.

Quando começa a geração eólica offshore?

A depender do licenciamento, a geração de fato pode começar em 2027 na avaliação da presidente da Associação Brasileira da Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Silva Gannoum. A estimativa foi feita em entrevista ao site Canal Energia em outubro de 2020. Para ela, o Brasil tem disponibilidade para gerar energia por meio das eólicas marítimas, mas é preciso vencer as barreiras regulatórias.

Marcelo Storrer, presidente da Associação Brasileira de Eólicas Marítimas (Abemar), da Abemar, é mais otimista e pontuou, em entrevista à revista Saneamento Ambiental, que a nova fonte de geração possa entrar na matriz brasileira ainda em 2025, caso exista incentivos para isso. Segundo ele, a iniciativa de incluir os benefícios do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) seria bem-vinda.

Ainda de acordo com a ele, a geração de energia eólica marítima é diferente da instalação em terra. O especialista afirmou à Saneamento Ambiental que a infraestrutura da eólica terrestre envolve equipamentos menores e não haveria ainda fabricantes de pás e torres específicas para isso, além de deficiências na infraestrutura básica portuária para atender o mercado.

Apesar disso, Storrer defende a viabilidade do segmento. “Se tivermos incentivo, o Brasil tem um potencial enorme no mercado mundial. É incontestável nossa área de águas rasas e a velocidade dos ventos viabiliza o desenvolvimento de projetos”, disse.