Por Redação em 08/04/2021

Formada em matemática, com várias especializações na área de tecnologia da informação, gestão de projetos e mestrado em gestão de negócios, Ursula Mangia, gerente de TI & Digitalização da TAG, empresa que tem a ENGIE e CDPQ como acionistas e possui a malha mais extensa de gasodutos no país, afirma que construiu sua carreira sempre se atualizando e sabendo aproveitar as oportunidades. 

“Comecei minha graduação muito jovem, com 16 anos optei pela área de exatas, por ter mais interesse e afinidade. É realmente um segmento predominantemente masculino, e no curso de matemática não era diferente. Lembro que as mulheres tendiam a ir para a licenciatura”, conta.

“Mesmo não querendo dar aulas de matemática, fiz também a licenciatura, que era opcional, mas por entender que seria um novo conhecimento e uma habilitação adicional que poderia me ser útil no futuro. Durante a graduação tive contato com algoritmos e linguagens de programação, o que me estimulou a fazer vários cursos técnicos em uma época em que as empresas estavam aderindo ao downsizing, que era a migração dos grandes centros computacionais com o uso de mainframes para ambientes descentralizados de microcomputação. Certamente, esse cenário e a valorização das profissões ligadas a computação, me influenciaram na escolha da profissão”. 

Aproveitar as oportunidades fez toda a diferença 

Depois de formada, Ursula conseguiu seu primeiro emprego na Brazilian Food Benefícios, que era uma grande empresa do segmento de ticket de refeição e alimentação.

“Minha função inicial era cuidar da parte operacional dos sistemas na matriz da empresa. Alguns  possuíam rotinas que precisavam ser monitoradas diariamente. Porém, essa oportunidade tinha um ponto negativo: meu horário de trabalho era das 13h às 22h, no centro da cidade do Rio de Janeiro, e eu ainda tinha que usar transporte público para retornar para casa”, relembra. 

Em sua avaliação, muitas jovens certamente ficariam inseguras, pela exposição aos riscos, e não aceitariam essa proposta com apenas 21 anos. “Mas, eu estava tão empolgada com a oportunidade de ter sido escolhida no processo e com tudo que poderia aprender e me desenvolver nessa empresa, que o horário pouco convencional não pesou na minha decisão”. Em menos de um ano, ela foi promovida para o cargo de analista de suporte, trabalhando no horário comercial (de 8h as 17h).  “Depois, assumi a função de analista de redes, trabalhando mais diretamente com a administração de redes e servidores”, disse.

“Depois dessa primeira experiência, passei por outras grandes empresas que foram muito importantes para o meu desenvolvimento profissional, como Losango, Shell e General Electric (GE). Desde 2019 estou na TAG. Mas sempre tive esse pensamento, de aproveitar as oportunidades, sem ligar para as adversidades. Por exemplo, na Losango, fui contratada inicialmente como pessoa jurídica, o que não era exatamente o que eu gostaria na época, mas aceitei a proposta por ser uma grande empresa e pela chance de aprendizado e crescimento”, explica Ursula.

“Em pouco mais de um ano, eu já estava contratada como funcionária da empresa, com grandes perspectivas de ascensão, o que acabou se concretizando depois com a promoção à gerente de suporte de TI, com 27 anos, quando assumi o desafio de liderar um time 100% masculino e suportar toda a empresa com abrangência nacional”, diz.

Posteriormente, Ursula ocupou outras posições de liderança na área. Ela destaca a gestão da TI e automação de todos os postos de combustíveis e lojas de conveniência da Shell no Brasil e a gestão da TI do site industrial de tubos flexíveis da GE Oil & Gas, com cerca de 1.000 colaboradores e operação 24×7. 

Capacitação e exposição

Além de aproveitar as oportunidades, Ursula conta que nunca deixou de se manter atualizada e de se desenvolver. “Especialmente em áreas voltadas à tecnologia, é necessário acompanhar as mudanças e entender a importância da atualização. Nunca enfrentei problemas pelo fato de ser mulher, mas também nunca deixei de me capacitar, de acumular conhecimento, de argumentar e expor a minha opinião”, afirma. 

Outro ponto fundamental, segundo a gerente, é trabalhar em empresas que respeitem a diversidade e que tenham valores que coincidam com os seus. “Precisamos aprender a dizer não para certas situações e buscar estar em ambientes nos quais sejamos respeitadas e valorizadas pelo nosso trabalho”, ressalta. 

Para Ursula, as mulheres não devem ter medo de questionar, de propor mudanças, de levantar uma opinião diferente da maioria e de se lançar a novas oportunidades. “É importante desenvolver nossas competências técnicas e de liderança para não se deixar intimidar, em qualquer área, mas principalmente naquelas com predominância masculina. A mudança precisa vir de nós mesmas, não devemos nos vitimizar e nos minimizar, aceitando realizar tarefas secundárias, que normalmente não são valorizadas, apenas pelo fato de sermos mulheres”, finaliza.