Por Redação em 21/02/2020

As ações de fomento à eficiência energética poderão trazer um redução média das tarifas entre 17% e 27% em 2030, avalia o estudo Consumo Eficiente de Energia Elétrica: Uma Agenda para o Brasil, elaborado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). O documento considera um incremento de 60% do mercado de energia até 2030

O estudo traça três cenários com aproveitamentos crescentes do potencial de eficiência energética do país, capazes de reduzir em 10%, 15% e 20%, respectivamente, a demanda por energia do caso de referência projetado para 2030.

O levantamento faz parte da Agenda CEBDS por um país sustentável, que tem como objetivo expandir o uso doméstico de fontes de energia não fósseis e aumentar a parcela de energias renováveis no fornecimento de energia elétrica para ao menos 23% até 2030. O trabalho considera o aumento da participação das fontes eólica, biomassa e solar.

A melhoria da eficiência energética do país resultará em benefícios diretos e indiretos para toda a sociedade. Nesse contexto, está a redução da necessidade de novas usinas e redes de energia elétrica, desaceleração das tarifas, redução das emissões e aumento da competitividade das empresas brasileiras.

O estudo também aponta ações práticas para fomentar a eficiência energética nas empresas. Entre elas estão a substituição de lâmpadas incandescentes por LEDs, troca de motores elétricos antigos por modelos novos de alto rendimento, redução do uso de equipamentos em modo standby, otimização de sistemas de refrigeração, entre outros. 

Para a sociedade em geral, o documento destaca melhores hábitos de consumo, como desligar os aparelhos quando não forem usados, manter os locais fechados e regular a temperatura em ambientes com ar-condicionado

Desafios no consumo eficiente e na geração de energia

O estudo também elenca alguns desafios pelo lado da geração no contexto da redução das emissões. No caso das hidrelétricas, há uma escassez de estudos de inventário e de viabilidade econômica e há dificuldades no licenciamento de barragens.

Já a inserção das termelétricas a gás natural em períodos de queda da produção da fonte hidrelétrica enfrenta o grande desafio de compatibilizar volatilidade dos períodos com a remuneração dos investimentos do setor de gás.

No entanto, as pequenas centrais hidrelétricas são consideradas atrativas para o mercado livre devido à regulamentação da contratação incentivada, a qual prevê redução nas tarifas de distribuição/transmissão dos geradores e dos respectivos consumidores dessa energia.

Em relação ao potencial eólico brasileiro, o estudo considera a geração de 60.000 MW médios nesse horizonte, concentrados em sua maioria na região Nordeste. A complementariedade das eólicas com as demais fontes renováveis também foi citada.

Do lado da energia solar, a abundância do recurso em áreas densamente urbanizadas e a modularidade dos painéis fotovoltaicos contribuem para o crescimento dessa fonte energética. Espera-se que a capacidade instalada solar chegue a 5 GW em 2030.

O processo de cogeração utilizando o bagaço de cana (biomassa) apresenta uma grande atratividade econômica, sendo outra opção para expansão da oferta, concentrada na região Sudeste, principalmente com a expansão da produção de etanol, o que resulta em um excedente maior de energia para ser vendida no mercado.