Por Redação em 27/01/2021

Em 2020, o volume de financiamentos para projetos de energia solar cresceu no Brasil. Segundo levantamento da consultoria Clean Energy Latin America (Cela), até outubro foram aprovados cerca de R$ 7 bilhões, ante R$ 5,6 bilhões em todo o ano de 2019. Deste montante, dois terços são voltados à geração solar distribuída, modalidade que ultrapassou a geração centralizada — são 4,2 GW contra 3,15 GW em operação, respectivamente.

Para 2021, a Cela espera que o volume de financiamento para a solar seja ainda maior, à medida que a fonte fica mais competitiva, devido à queda do custo da tecnologia e  ao aumento da eficiência. E também porque, com mais projetos em operação, as instituições financeiras podem conhecer melhor a tecnologia e, assim, sentirem-se mais confortáveis em financiar projetos do tipo.

Bancos privados se destacam pela maior agilidade na aprovação de financiamentos

De acordo com a consultoria, dentre as instituições que protagonizam o cenário de financiamento para projetos solares está o Banco do Nordeste (BNB), que, de janeiro a outubro, aprovou R$ 3,4 bilhões em empréstimos para geração centralizada, volume superior ao R$ 1,3 bilhão em 2019 e os R$ 3,2 bilhões em 2018. Para projetos voltados à geração distribuída, foram aprovados R$ 218,7 milhões, número inferior aos R$ 228,6 milhões de 2019 e superior ao R$ 85,2 milhões de 2018.

No campo das grandes usinas, o BNDES passou a ser um player bastante relevante neste ano, disse à Brasil Energia a diretora da Cela, Camila Ramos. Segundo ela, até outubro, foram contratados R$ 910 milhões via BNDES. Em 2018 o volume foi de R$ 1,2 bilhão, enquanto em 2019 não houve contratação declarada para construção desse tipo.

Em relação à geração distribuída, Camila afirmou que as principais fontes de financiamento estão sendo o Santander, o Banco Votorantim (BV) e o Sicredi. ” A maior participação de bancos privados nesse segmento se dá por causa da maior agilidade que eles oferecem para aprovação do financiamento, além de melhores condições. As garantias pedidas pelos bancos de desenvolvimento são mais pesadas do que as dos privados “, afirma.

A Cela também identificou a entrada de novos bancos na área de financiamento para energia solar em 2020, como o Bradesco, via Losango, e o Banco Safra. A consultoria constatou ainda o aumento da atuação de fundos de investimentos em participações (FIPs).