Por Redação em 24/03/2021

A maior necessidade de uso de energia limpa, em função das crescentes demandas por redução das emissões, alimenta o surgimento de novas tecnologias para minimizar o impacto ambiental. Uma delas é a geração da bioenergia derivada de resíduos. A perspectiva é de que o mercado de biogás cresça 14,7% no período compreendido entre 2020 e 2027. 

A previsão é de um relatório divulgado pela Fortune Business Insights, que estima que o mercado global das usinas de biogás deverá representar US$ 7,71 bilhões em 2027. O motivo do crescimento, além da necessidade de descarbonização e da geração de energia renovável, é que essa estratégia também resolve outro grave problema, o do saneamento básico. 

Biogás gera energia, emprego e renda

O acúmulo de resíduos em aterros sanitários representa um grande risco à população. Vários problemas de saúde pública são decorrentes de infiltrações de materiais contaminados no lençol freático, que acabam chegando às residências. Outra consequência séria é a atração de insetos e roedores, que também são vetores de doenças.

Assim, ao usar os materiais que seriam descartados nos aterros sanitários para gerar energia, a qualidade de vida da população aumenta e a chamada economia circular é estimulada. Ou seja, o que seria desperdiçado se transforma em insumo e volta a ter valor comercial, gerando empregos e renda. 

Apesar do grave problema urbano decorrente dos aterros sanitários, atualmente a maior parte dos projetos de biogás no Brasil vem do setor agropecuário. Afinal, o uso de resíduos de plantações ou de atividades pecuárias representa uma oportunidade para a geração de energia, totalmente limpa e renovável. 

Mercado de biogás avança no Brasil

A previsão do estudo da Fortune Businnes Insights é global, mas, no Brasil, o mercado de biogás vem tendo avanços importantes. Nos últimos dois anos, o investimento em novas plantas foi superior a R$ 700 milhões. Informações da Associação Brasileira de Biogás (Abiogás) mostram que, em 2020, nada menos que 69 plantas de produção de biogás, de diferentes portes, foram concluídas no país.

Os projetos injetaram no sistema elétrico nacional 50 megawatts, o equivalente a 100 milhões de m³ de biometano por ano. Atualmente, a produção atual de biogás no Brasil é de 1,5 bilhão de m³ ao ano. Isso representa menos de 4% da geração de energia fóssil – apesar de  o setor ter crescido 27% em 2020 no país -, demonstrando o potencial de investimento que detém.

Apesar dos avanços, os especialistas do mercado de biogás pontuam que a maior dificuldade, ainda é a geração de biometano para o transporte. Conforme a Agência Internacional de Energia (IEA), em todo o mundo, 67% da demanda de eletricidade será atendida por energias renováveis ​​até 2040, com energia solar e eólica respondendo por cerca de 40%, e bioenergia e energia hídrica contribuindo com cerca de 25%.

Biogás no mundo

No âmbito global, o crescimento das usinas de biogás deverá ter benefícios decorrentes de apoio regional e internacional. A conclusão de projetos que já estão em andamento é um importante marco para o setor. Um exemplo é o da África do Sul, financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI).

Outro destaque da ampliação do uso do produto foi a assinatura de um acordo entre o Ministério do Petróleo e Gás Natural da Índia com a JBM Renewables, em dezembro de 2020. A parceria tem por objetivo construir 500 projetos de biogás comprimido no país.

A Europa, por sua vez, permanece como o continente com maior participação das usinas de biogás, com mercado estimado em US$ 3,46 bilhões em 2019. A principal razão disso é a baixa disponibilidade de fontes de origem fóssil. Já na América do Norte, a maior representatividade do mercado vem dos 50 estados dos EUA.