Por Redação em 31/03/2021

Embora sua formação não tenha sido em uma área estritamente tecnológica, para a economista Cristina Sayão, a maneira de encarar os desafios fez toda a diferença para o desenvolvimento de sua carreira e para a construção de seu espaço (e reconhecimento) em ambientes predominantemente masculinos, como a indústria de óleo e gás.

“A forma como a mulher se coloca e conquista seu espaço no mundo do trabalho tem sido muito importante para a construção da diversidade”, diz a coordenadora de regulação da TAG, empresa que tem a ENGIE e CDPQ como acionistas e possui a malha mais extensa de gasodutos no pais

Apesar da excelente formação (graduação em economia pela UFRJ e mestrado na COPPEAD/UFRJ concluído na Università Commerciale Luigi Bocconi, em Milão, na Itália), Cristina afirma que enfrentou vários desafios e, por isso, acredita que as mulheres têm papel fundamental na construção e valorização da equidade de gênero e da  diversidade.

“O trabalho tem que caber na vida”

Para Cristina, as pessoas têm ambições, expectativas e experiências pessoais distintas e o trabalho faz parte da história de vida de cada um. “Enfrentei várias dificuldades em minha trajetória. Perdi meus pais muito cedo e sempre aprendi a me reinventar. Esta trajetória incluiu algumas experiências internacionais – além dos estudos na Itália, Cristina trabalhou na Michelin, na França. Ao retornar para o Brasil, o ritmo de trabalho permaneceu intenso, com um novo desafio como Diretora de estratégia, marketing e produtos da Nationwide Marítima. 

Dentre as várias experiências profissionais, a economista destaca cargos executivos em organizações nas quais a gestão ainda era essencialmente masculina. “Trabalhei na Embelleze e na Leite de Rosas, por exemplo, duas empresas nas quais, embora a oferta de produtos seja direcionada principalmente ao público feminino, a gestão, à época, ainda era predominantemente masculina”, conta.

“Cheguei a liderar uma equipe formada apenas por gerentes homens, alguns com mais idade do que eu. Foi necessário, a despeito das barreiras de gênero, conquistá-los, com empatia, liderança e com a construção conjunta de soluções”, afirma Cristina.

“Em meio a esta trajetória de reinvenção e desafios, entendi que o trabalho tem que caber em nossa vida”, explica. Com esse pensamento, após uma parada por motivos pessoais, Cristina reingressou no mercado através do segmento de gás natural.

“Fui selecionada para um cargo na Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia Brasil (TBG), em 2013”, contou Cristina.

“O gás natural me surpreendeu. É um segmento fascinante, e a transição do Novo Mercado de Gás vem abrindo cada vez mais espaço para as mulheres”.

Desde agosto de 2020 na TAG, Cristina avalia que a escolha pela nova empresa esteve em grande parte associada a uma cultura que valoriza a pluralidade de ideias e a equidade de gênero. “É muito bom fazer parte de uma empresa como a TAG, que tem a diversidade como valor”

Mulheres precisam lutar por diversidade, não pela igualdade

“As pessoas não são iguais, e o gênero, etnia, religião, condição econômica, idade ou qualquer outra característica não deveria resultar na diminuição de oportunidades. Cada desafio requer competências e atitudes distintas, que podem estar em pessoas com diferentes trajetórias e perfis”, ressalta Cristina.

“As diferenças decorrem também de traços de personalidade, histórias e momentos de vida, que influenciam na motivação, vontade de aprender e adaptação a diferentes ambientes.  A diversidade do olhar torna as empresas mais aptas a competir em cenários complexos e interconectados, que exigem cada vez mais agilidade, flexibilidade e resiliência”.

Segundo a coordenadora de regulação da TAG, embora as mulheres, de modo geral, possam ter habilidades específicas, como maior flexibilidade e uma certa capacidade “multitarefas”,  a luta pela  diversidade vai além da questão do gênero. “O ideal seria viver em um mundo no qual essa nem fosse uma questão importante, que merecesse tal destaque, mas este tema ainda é necessário, assim como todas as políticas de inclusão.”, enfatiza Cristina. 

Em sua avaliação, a construção do espaço feminino e o reconhecimento das mulheres que ocupam posições de liderança ou de destaque funcionam como combustível para as novas gerações. “No fundo, é uma grande responsabilidade do nosso tempo. Das organizações, de seus líderes e de cada uma de nós, como mulheres… O espaço e as  oportunidades para o diálogo e para diversidade devem ser constantemente construídos e preservados. Afinal, como pessoas e profissionais, não devemos alimentar crenças limitantes, seja pela questão de gênero, etnia ou qualquer outro traço que nos diferencie de um modelo de comando padrão. Cada um tem o tamanho do seu sonho e, felizmente, as empresas cada vez mais percebem que a diversidade é um ativo estratégico”, completa.