Por Redação em 04/03/2021

“A diversidade – entendendo esse assunto como a valorização das pessoas e das diferenças que as definem, seja por seu gênero, raça, etnia, idade, orientação sexual, entre outras – é positiva para homens e mulheres e contribui para o senso de pertencimento, resultando em um maior engajamento das pessoas”, afirma a consultora sênior de Diversidade e Cultura da ENGIE, Erika Zoeller, para a série de diversidade de gênero do Além da Energia.

Erika lembra que o setor de energia ainda é predominantemente masculino. Por isso, tem trabalhado para que as pessoas entendam os motivos pelos quais é importante falar do poder da paridade nos negócios.

“Em um segmento predominantemente dominado pelo universo masculino, como o setor elétrico, é fundamental que as empresas adotem programas de inclusão e diversidade de gênero para a desconstrução de estereótipos e preconceitos que muitas vezes impedem o avanço profissional das mulheres. Nesse contexto falar sobre vieses inconscientes é fundamental”, destaca.

Ela enfatiza que pesquisas mostram que a maior participação feminina é fator de melhor desempenho nas organizações. “Empresas mais diversas em relação a gênero e etnia, na maior parte das vezes, têm a probabilidade de terem melhores resultados financeiros se comparadas a seus pares que não têm essa diversidade.

Erika conta sua trajetória profissional

Formada em sociologia, em 2003, aos 31 anos, a paulistana Erika Zoeller ganhou uma bolsa para estudar mandarim, na China.  “Na época, a China tinha muito campo de estudo para a sociologia”, lembra. Ficou um ano. Terminados os estudos, voltou para o Brasil e foi contratada para receber delegações do governo chinês no Brasil.

Um dia, recebeu a solicitação de promover encontros de uma associação de mulheres de Shanghai no Brasil. Foi quando conheceu a Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais de São Paulo (Business Professional Women – São Paulo), que recebeu as chinesas no Brasil. Não demorou muito, a entidade chamou Erika para se associar.

Em 2006, Erika e o marido, também sociológo, voltam para a China, onde ficam um período de dez anos.  Lá, decidiu fazer o MBA, na Wuhan University of Technology, estudando brasileiras e chinesas em cargos de alta gestão. “Publiquei um livro, como resultado do mestrado e na sequência entrei no doutorado”, conta. “Daí fui para o mundo do empreendedorismo, analisando como homens e mulheres fazem negócios”, explica.

Enquanto fazia o doutorado, ainda na China, Erika ia conciliando a vida acadêmica com a profissional, fazendo e assessorando negócios entre empresas no Brasil e na China.  “O que você imaginar, de produtos, eu negociei, de ar condicionado e caminhão a empilhadeiras”, brinca.

Erika engravidou. O filho, com Síndrome de Down, nasceu em Wuhan. “Tive dez anos muito felizes e prósperos na China, me desenvolvi, mas era hora de voltar. No Brasil encontramos um ambiente mais inclusivo, dando o apoio necessário para o momento”, conta.

Durante o período na China, Erika continuou ligada à Associação de Mulheres. Na volta para o Brasil, foi chamada para ser vice-presidente da Associação e se tornou assessora da ONU Mulheres para a sociedade civil.

Na mesma época, se candidatou a vaga no Conselho Estadual da Condição Feminina de São Paulo, atuando como conselheira durante três anos.

As quatro lentes da diversidade

“Olhando para essa minha trajetória, vejo que aprendi, na questão de gênero, a olhar por quatro lentes: a acadêmica, a corporativa, a da sociedade civil e a governamental”, avalia.

Foi quando começou a fazer uma série de consultorias, abriu uma empresa, se tornou colunista da Você SA e professora da Fundação Dom Cabral. No processo conheceu empresas de Norte a Sul do país, fazendo treinamentos sobre diversidade.

Erika então conheceu, em um painel, Simone Barbieri, diretora de Pessoas e Cultura da ENGIE. “Pouco tempo depois, era chamada para atuar como consultora da companhia, fazendo treinamentos”, recorda.

“A sociologia me permite com todo o arcabouço a ter um conceito teórico embasado no prático, me permite ter uma visão mais ampla”, reflete. “Acho que foi isso que a Simone enxergou e foi um ponto decisivo para a minha escolha para fazer parte do time da ENGIE”.