Por Redação em 22/02/2021

Natural de São Paulo, ainda no ensino médio, Luciana Nabarrete, fez um curso de computação. “Nos primórdios da informática, quando a área de TI ainda era chamada de informática, computação”, brinca. “Gostei e acabei indo para essa área”, afirma.

Luciana começou a trabalhar muito cedo, aos 14 anos. “Eu trabalhava como secretária, em uma empresa, tinha esse conhecimento básico de computação, que ninguém tinha”.

Não demorou e surgiu a oportunidade de fazer um estágio na Philips do Brasil, trabalhando com profissionais de engenharia elétrica. “Só homens na equipe, mas um pessoal super aberto e que me ensinou muito”, observa.

Ela lembra que a Philips tinha um laboratório que tinha CAD CAM, algo moderno para a época. “Estamos falando de tempos antes da abertura da Lei da informática, no final da década de 80. Quando não existia ainda nem um computador colorido”.

Finalizado o período de estágio, Luciana foi para outra empresa, que tinha um computador jogado no canto, um XT, que ninguém usava. “O pouco que eu conhecia era muito”, recorda. “As pessoas na empresa não sabiam nada de informática. Comecei a fazer coisas que ninguém sabia e isso acabou me levando para outros caminhos”.

A empresa tinha uma área de informática. “Ali, comecei realmente uma carreira na área de informática, passando por todas as funções na empresa, do desenvolvimento à implantação de soluções de informática”, define. “Batia o escanteio e cabeceava”.

Ainda na universidade, surgiu outra grande oportunidade, um estágio na Unilever, na área de informática, na área de infraestrutura e TI. “Na época, éramos quatro mulheres estagiárias, na informática. Ainda era algo muito dissonante”, lembra.

“Acho que a oportunidade de lidar com informática nos primórdios, de ver começar muita coisa, me deu uma base conceitual importante para entender os dias de hoje, me tornou capaz de encontrar soluções para problemas de uma forma conceitual”, avalia. “Acho que foi um momento privilegiado. E muito já mudou, em muito pouco tempo”.

A primeira mulher a fazer parte da diretoria da ENGIE Brasil Energia

Luciana se formou, casou e mudou para Florianópolis, com o marido, onde mora há mais de vinte anos. “Sou praticamente uma nativa”, brinca.

Em Florianópolis, pôde usar, nas empresas locais, toda a experiência que adquiriu em São Paulo. E chamar a atenção, pelos conhecimentos, pela eficiência e pelo desembaraço como resolvia os problemas.  “Era engraçado ver a reação dos clientes quando eu chegava nas empresas para resolver problemas nos servidores. Ninguém acreditava”, recorda.

Em 2004, começou a prestar serviço para a ENGIE, e depois de oito meses foi contratada  como coordenadora de Infraestrutura de TI. Em 2018, tornou-se gerente de Tecnologia da Informação e Digitalização.

Nesse meio tempo, se especializou em gestão. E a área de TI deixou de ser uma área de suporte para ser uma posição estratégica, um ativo que pôde ser, inclusive, monetizado.

Desde novembro do ano passado, Luciana é a primeira mulher a fazer parte da diretoria da ENGIE Brasil Energia. Aceitou o desafio de ser diretora Administrativa da companhia. Sob sua direção estão as áreas de Gestão de Pessoas e Cultura, Meio Ambiente, Responsabilidade Social, Comunicação, Patrimônio & Suprimentos, e Tecnologia da Informação e Digitalização (TID), que migrou para sua diretoria. “A área de TI veio comigo”, diz.

Luciana observa que, ao longo da carreira, sempre procurou atividades que permitissem agregar valor à empresa. “E que, ao mesmo tempo,  me oferecessem desafios, aprendizado e me permitissem contribuir para o desenvolvimento das pessoas”, explica. “A posição que ocupo hoje reúne todas essas características e me permitirá contribuir ainda mais para o crescimento da empresa, consolidando a ENGIE como uma referência nacional na transição para uma economia de baixo carbono, na produção de energia por meio de fontes sustentáveis e cumpridora das melhoras práticas ESG (ambiental, social e governança)”, reforça.

Um papel social importante

“São 16 anos de muito trabalho mesmo. Eu tive de conquistar o meu espaço. Minha função sempre foi ligada à infraestrutura de TI, e nessa área específica, a presença da mulher é algo raro”, avalia. “Sempre fui muito bem tratada, mas existem hábitos inconscientes que precisam ser superados”, observa.

Para Luciana, um grande ponto de atenção quando o assunto é aumentar o número de mulheres no mercado de trabalho é ampliar o horizonte de quem está entrando nesse ambiente. “É preciso mostrar que é possível atuar em áreas que, historicamente, eram masculinas. É preciso apresentar e dar a opção de escolha para as mulheres”, afirma.

Como empresa, nós temos esse papel social importante de ampliar os horizontes das meninas que ainda estão em fase escolar, para mostrar que não há limites para a mulher, tudo é possível. “É algo que estamos fazendo dentro da ENGIE, em diversos programas”, explica.

Ela lembra que, quando era secretária na Phillips, ouviu de um profissional da empresa: “não se limite. tudo é possível”.

“Aquilo me deu um toque importante para a vida. Infelizmente, muitas pessoas não tiveram essa oportunidade, de ter esse aconselhamento”, observa. “Mas é isso: não há limites apenas porque você é mulher. Tudo é possível”, conclui.