Vivemos em um mundo em rápida transformação. Nos últimos anos, a urbanização acelerada trouxe muitos desafios às cidades, gerando um processo crescente de desigualdade e degradação ambiental, associado a um modelo de crescimento e consumo que não são sustentáveis. É voz corrente que, para prover a quantidade de recursos e absorver os resíduos gerados, precisaríamos de um planeta 1,75 vezes maior em 2030!

Esse crescimento muitas vezes descontrolado, associado ao aumento do trânsito e de atividades econômicas intensivas na geração de gases de efeito estufa e poluentes, acelerou o processo de mudança climática que impacta cada vez mais nossas vidas. Eventos extremos têm ocorrido no mundo, resultantes das elevadas temperaturas que, por um lado, geram secas que afetam a produção de alimentos e escassez de água e, por outro, provocam tempestades violentas, que colocam em risco a vida das populações, devastam cidades e impactam a biodiversidade.

Momentos de transformação exigem ação e agilidade de resposta. E a complexidade da situação exige uma atuação integrada, com diálogo e colaboração entre governo, iniciativa privada e sociedade, para garantir a transformação em escala global, o que ficou claramente estabelecido com os compromissos assumidos pelo Acordo de Paris, 2015.

Não existe uma solução única que sirva para todos, mas esse momento exige atenção em relação a dois pontos principais: a melhoria na performance e processos de produção, e a redução das emissões de gases de efeito estufa, com destaque para o carbono.

Tendo sido a energia um dos principais motores e viabilizadores desse desenvolvimento global, e com a grande dependência que ainda se tem no mundo dos combustíveis fósseis, a transição energética para uma matriz renovável, mais limpa é uma questão chave para avançarmos na agenda e implementação de ações para a  sustentabilidade do planeta. Estima-se que haja US$ 1 trilhão em compromissos no mundo para ampliar a capacidade de geração de energia renovável na próxima década.

O Brasil tem um papel muito importante na contribuição para o atingimento das metas globais, seja pelas nossas florestas, que representam um pulmão verde para o mundo ou pelo fato de termos uma matriz energética mais limpa, mas ainda com um potencial de ampliarmos a participação das energias renováveis. Nossos principais setores econômicos, especialmente relacionados às commodities que movem o mundo, são intensivos em uso de recursos naturais e energia, e as grandes empresas tem assumido compromissos de descarbonização de suas matrizes, com investimento em parques solares e eólicos para alimentarem suas produções.

Temos uma oportunidade única de construir um mundo baseado na economia verde, circular, que estará muito mais alinhada com os anseios da sociedade, muito mais madura e atuante, com expectativas claras e posicionamentos objetivos, cobrando ética e transparência, e a criação de uma agenda sustentável, inclusiva e resiliente. O equilíbrio people, profit & planet é uma necessidade sem volta para melhorarmos a qualidade de vida desta e das próximas gerações.

Mas para isso acontecer, a sustentabilidade tem que ser de fato um propósito de negócio, tem que estar no core da estratégia, para que não seja apenas formada por compromissos vazios.

A agenda ESG (Environment, Social & Governance), que ganhou cada vez mais espaço e visibilidade nos últimos meses com o impacto da pandemia da COVID-19 em nossas vidas, tem como base o monitoramento de riscos dos negócios. A aplicação de abordagem ESG traz a oportunidade de transformar todos os compromissos, Políticas de Sustentabilidade e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em ações concretas. Se cumpridas, tais ações, alinhadas a metas e objetivos, trarão um benefício aos negócios pelo compromisso que inspira as novas gerações (que mais e mais buscam empresas com propósito), para as comunidades (que poderão ter o valor compartilhado dessas operações) e para o ambiente, com ações concretas para sua proteção.

Trata-se de um momento único, e depende de cada um de nós, nos âmbitos pessoais e profissionais, atuarmos para um futuro promissor e a continuidade do planeta. E você, já fez a sua parte?