Por Redação em 28/06/2021

Os novos critérios divulgados no fim de março de 2021 pela organização Climate Bond Initiative (CBI) para padrões de certificação de bonds climáticos marcam o início de uma nova era para o investimento em energia hidrelétrica sustentável, avalia o CEO da International Hydropower Association, Eddie Rich, em entrevista ao Além da Energia.

“Todos os tipos de projetos hidrelétricos – de todos os tamanhos, em todos os locais, se planejados ou já construídos – serão elegíveis para financiamento com um título climático Climate Bond Initiative (CBI), desde que atendam a critérios de qualificação rígidos.”, afirmou.

Bonds climáticos para hidrelétricas não estavam alinhados ao Acordo de Paris

Não havia, até então, um padrão definido para esses títulos (para financiamentos de hidrelétricas). Alguns não estavam alinhados com os objetivos do Acordo de Paris, enquanto outros que poderiam contribuir para o combate às mudanças climáticas não eram rotulados como “verdes”.

Por isso, nem todos esses títulos eram bem recebidos no mercado, devido às preocupações dos investidores sobre os riscos relacionados às mudanças climáticas. A CBI está fornecendo uma solução para esse problema ao apresentar esses novos critérios.

Assim, os climate bonds de hidrelétricas estarão sujeitos a critérios de triagem robustos e transparentes, que garantirão que quaisquer projetos ou ativos hidrelétricos (ou outros) estejam em linha com os objetivos do Acordo de Paris e cumpram as boas práticas internacionais e da indústria, visando a redução ambiental e social dos impactos.

Esses títulos, portanto, oferecem aos investidores e partes interessadas uma maneira de verificar as credenciais ambientais de um projeto e buscar definir o padrão ouro para projetos e ativos que promovem as metas do Acordo de Paris, ao mesmo tempo em que reduzem os impactos negativos nos ambientes e sociedades locais.

O que são bonds climáticos?

Os bonds climáticos são um subconjunto dos green bonds ou títulos verdes. Um título verde é um instrumento de dívida que governos, empresas e outras entidades emitem para financiar ou refinanciar projetos que proporcionem benefícios ambientais. Ou seja, o emissor se compromete com os investidores de que todos os fundos levantados irão apenas para projetos específicos com resultados ambientais positivos. Os títulos climáticos financiam ativos compatíveis com um futuro de baixo carbono, em que projetos de infraestrutura ou gestão sejam adaptáveis ​​e resilientes às mudanças climáticas atuais e futuras.

Os climate bonds são emitidos por governos, empresas, municípios e bancos comerciais e de desenvolvimento para financiar (ou refinanciar) esses tipos de projetos. Alguns exemplos são parques eólicos, usinas solares, hidrelétricas, transporte ferroviário e contenções em cidades ameaçadas por elevação do nível do mar.

Climate bonds para hidrelétricas financiam ou refinanciam ativos

Os climate bonds para hidrelétricas financiam ativos e projetos relacionados a essa fonte de energia e a ativos que contribuem para as metas de mitigação e adaptação ao clima. Por exemplo, podem financiar ou refinanciar usinas a fio d’água, barragens, hidrelétricas reversíveis e infraestrutura associada para essas instalações.

Os critérios definidos garantem que quaisquer projetos ou ativos hidrelétricos (ou outros) estejam em linha com os objetivos do Acordo de Paris e cumpram as boas práticas internacionais e da indústria, visando a redução dos impactos ambientais e sociais. Assim, esses títulos oferecem aos investidores e partes interessadas uma maneira de verificar as credenciais ambientais de um projeto. 

A grande maioria dos títulos climáticos é comprada por investidores institucionais, como fundos de pensão e administradores de fundos. Na Holanda e na África do Sul, os bancos também ofereceram títulos verdes a pessoas físicas e, alguns gestores de fundos, usando World Green Bonds, criaram fundos especiais nos quais os indivíduos podem investir.

Projetos precisam passar por avaliações específicas

Para serem elegíveis, os projetos precisarão encomendar uma avaliação usando a Ferramenta de Análise de Lacunas de Sustentabilidade Hidrelétrica ESG e a Ferramenta G-res para relatar as emissões de gases de efeito estufa. A HESG permite que proponentes de projetos hidrelétricos e investidores identifiquem e resolvam lacunas em relação às boas práticas internacionais.

“A HESG é baseada em um protocolo chamado Avaliação de Sustentabilidade da Energia Hídrica (HSAP), que avalia os projetos em relação aos requisitos ambientais, sociais e de governança e oferece um plano de ação para ajudar as equipes de projeto a abordar quaisquer lacunas em relação às boas práticas”, conta Rich. A Hidrelétrica Jirau, que tem a ENGIE como sócia, é um exemplo brasileiro auditado pelo HSAP.

Já á ferramenta GHG Reservoir (G-res) é uma aplicação baseada na web para empresas hidrelétricas e pesquisadores estimarem e relatarem as emissões líquidas de gases de efeito estufa de um reservatório. O uso dela dá aos investidores, reguladores e comunidades locais maior confiança na pegada de carbono de um reservatório.