Por Redação em 03/06/2021

A crise do coronavírus trouxe ao mundo uma nova oportunidade de pautar a recuperação econômica nos avanços socioambientais. É o que avalia a jornalista Sonia Consiglio Favaretto. Ela é SDG Pioneer pelo Pacto Global das Nações Unidas, e integrante do Conselho de Administração de duas grandes organizações. A especialista abriu a série de eventos do Seminário de Gestão Sustentável 2021, da ENGIE, em 01 de junho.

Na crise de 2008, que foi unicamente financeira e, portanto, diferente da atual, o mundo teve a oportunidade de iniciar a recuperação econômica com base em questões sustentáveis, mas não o fez, segundo Sonia. “Nesta crise atual, temos novamente essa possibilidade e ela está se concretizando em várias frentes”, diz.

A especialista define que a sustentabilidade, na essência, significa transformação (mudança de mundo). “E isso não quer dizer abraçar árvores e beijar criancinhas, com todo o valor sentimental que essas ações merecem. Mas sim estabelecer objetivos econômicos juntamente com aspectos ambientais e sociais. É nisso que devemos avançar”, diz.

EESG está concretizado em várias frentes

Sonia avalia o cenário econômico atual a partir de ações de empresas e países para confirmar que o EESG está concretizado. “A questão surgiu com maior ímpeto no ano passado e muitos ficaram receosos de que fosse só uma onda passageira. O ano virou e o EESG ficou ainda mais forte”, pontua. Ela lembra, contudo, que o assunto vem amadurecendo ao longo dos anos e usa dois momentos do jornalista ambiental e vice-presidente norte americano, Al Gore, para confirmar isso.

No primeiro, em 2007, ele disse que “para evitar a catástrofe, precisamos agir todos em conjunto, independente de credo, etnia, ideologia ou nacionalidade”. Recentemente, no final de maio de 2021, uma reportagem do jornal Valor, com título “Investimento em ESG não sairá de moda” Al Gore disse que “o mundo caminha para uma revolução da sustentabilidade, e esta é uma mudança na magnitude da revolução industrial, mas na velocidade da revolução digital”.

A constatação de Al Gore é confirmada pela consultoria McKinsey, que faz anualmente uma pesquisa de tendências. Sobre 2021, a pesquisa pontua que o capitalismo de stakeholder alcançará a maioridade, pois a Covid-19 evidenciou a interconexão entre negócios e sociedade. “Esse documento também pontua que o verde é a cor da recuperação, e diferente de 2008, ela deve ocorrer dessa forma”, explica a especialista.

As empresas já incorporaram o EESG

Segundo Sonia, o movimento empresarial confirma a “recuperação econômica verde” e ela própria é um exemplo, pois compõe o board de duas grandes organizações: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Naturgy Brasil.

Na ENGIE, desde que foi constituída no Brasil, há quase 25 anos, a Diretoria de Sustentabilidade tem assento no Comitê Executivo e no Conselho de Administração da ENGIE Brasil Energia, empresa do Grupo listada na Bolsa de Valores brasileira, a B3.

Em mais exemplos de larga escala, a especialista apresenta uma pesquisa da Ernst & Young onde mostra que, entre as seis principais prioridades dos boards de companhias para 2021, duas são claramente voltadas ao ESG: “Orientar uma estratégia ESG que estimule o engajamento e valor agregado dos stakeholders e que as empresas devem priorizar serem “líderes em diversidade, equidade e inclusão”.

Em outra frente, na avaliação de riscos globais do Fórum Econômico Mundial, todos os riscos em termos de probabilidade foram ambientais no ano passado. Essa avaliação é feita anualmente pelo FEM e divide a análise de riscos em dois momentos: probabilidade e impacto, levando em conta os riscos para países e indústrias para os dez anos seguintes ao estudo. “Em impacto, quatro, entre os cinco primeiros riscos apontados eram ambientais em 2020”.

Com o exemplo do FEM, Sonia Consiglio congrega que os conselhos de administração das companhias, os investidores e os países – como mostrou a última cúpula do G20 – estão se alinhando às premissas de EESG, o confirmando como o carreador do futuro que estamos começando a construir hoje, a exemplo do que centram os debates do Seminário de Gestão Sustentável 2021 da ENGIE.