Por Redação em 23/10/2020

A eletrificação dos ônibus nas grandes cidades da América Latina é uma grande oportunidade de redução das emissões de gases do efeito estufa na região. De acordo com estudo da iniciativa ZEBRA, da C40, organização de 40 das maiores cidades do mundo, o transporte público sobre rodas é responsável por mais de 50% das emissões locais nas grandes cidades da região, com reflexos na saúde, economia e meio ambiente.

A ENGIE, que participa da ZEBRA, está empenhada em viabilizar a eletrificação da frota. No Chile, a empresa participou, junto com algumas congêneres, do projeto de eletrificação dos ônibus de Santiago. A ENGIE se responsabilizou pela eletrificação de 100 ônibus, com investimentos nos carregadores elétricos e nas infraestruturas elétricas. De acordo com a ZEBRA, com um total de 386 ônibus eletrificados, a capital chilena já experimentou uma redução de 10% nas emissões proveniente do seu sistema de transportes.

“A capital chilena tem uma geografia muito peculiar, localizada entre as montanhas, e nesse sentido, as emissões de gases de efeito estufa são um problema ainda maior pois a qualidade do ar na cidade fica prejudicada”, explica o gerente de desenvolvimento de negócios da ENGIE Brasil, Kevin Alix.

Além da eletrificação dos ônibus, o projeto também previu o uso de um sistema de carregamento com tecnologia de load balancing, para que não haja um pico de consumo durante o carregamento das unidades durante à noite, quando há pouca circulação de ônibus. Além disso, o sistema smart charging também permite injeção da energia em excesso no sistema da concessionária local.

Eletrificação de ônibus têm interesse de outras cidades

Outras cidades estão tentando replicar esse case bem-sucedido do Chile. O C40 criou um grupo de trabalho para analisar as oportunidades na América Latina. O objetivo é integrar alguns stakeholders desse negócio, incluindo os fabricantes de ônibus, fornecedores, prefeituras, investidores e agências reguladoras e viabilizar essa agenda dos ônibus elétricos.

Nesse contexto, a ENGIE assinou uma carta de intenções com a organização para investir em mobilidade elétrica. O objetivo é mostrar que há interesse desses diversos players pelo investimento na eletrificação da frota de ônibus.

No Brasil, a cidade de São Paulo deve largar na frente na eletrificação da frota. Na renovação das concessões dos operadores de ônibus da cidade, a prefeitura exigiu nos novos contratos assinados compromissos de redução das emissões, que são um forte incentivo para que os operadores eletrifiquem entre 30% e 50% das suas frotas, cerca de 6 mil veículos. Se levados em conta custos de mercado, trata-se de um investimento de aproximadamente R$ 9 bilhões a serem investidos por players privados. As partes interessadas, contudo, ainda buscam um modelo de negócios que dê segurança jurídica aos investidores e que permita viabilizar o financiamento desses vultosos investimentos.

bus eletricoRio de Janeiro, Curitiba e Salvador também já demonstraram interesse em eletrificar sua frota. No Rio de Janeiro, a prefeitura sinalizou seu interesse em eletrificar os ônibus do corredor rápido BRT Transbrasil. Salvador também tem um projeto piloto e Curitiba realiza um estudo de viabilidade de eletrificação da frota.

Barreiras vão desde o financiamento à regulação

As barreiras para o crescimento do mercado de ônibus elétricos são principalmente de ordem político-regulatória, tecnológica e financeira. Por exemplo, o mercado ainda tem poucos fornecedores. Os editais de licitação das cidades mantém mecanismos que beneficiam os veículos a diesel. E alternativas de financiamento ainda são escassas.

As vantagens, no entanto, compensam a adoção da tecnologia. Além da redução das emissões de CO2 e poluentes, os ônibus elétricos promovem a redução da poluição sonora e redução de custos totais para os operadores de ônibus.

“Se levado em conta um horizonte de dez anos, o custo total de propriedade (TCO) é significativamente menor, incluindo a aquisição do novo sistema elétrico, ônibus e baterias, das novas infraestruturas e dos custos operacionais”, afirma Alix.

Essas estimativas são confirmadas por números. Segundo a iniciativa ZEBRA, o ônibus elétrico tem um custo inicial duas a três vezes maior do que o veículo a diesel. No entanto, as versões a diesel têm custo de manutenção anual de 50% a 70% maiores. O custo do “combustível”, nesse caso a energia, também é significativamente mais baixo no caso do ônibus elétrico, chegando a um quarto do total para um ônibus de 12 metros.

“Nós da ENGIE estamos empenhados em contribuir e investir na mobilidade elétrica, porque reconhecemos as oportunidades e vantagens dessa tecnologia. Há um enorme potencial a ser explorado pelas cidades brasileiras e queremos participar disso dentro do nosso compromisso de liderar a transição energética para uma economia de baixo carbono”, pontua Alix.

Cidade inteligentes

Trabalhando junto com a população, gestores públicos, parceiros técnicos e financeiros, a ENGIE oferece ferramentas e serviços que transformam as cidades, tornando-as mais sustentáveis, atrativas e resilientes. Desse modo, a empresa atua em conjunto para conquistar o bem-estar e segurança da população, economizar energia e preservar o patrimônio ambiental, cultural e histórico dos municípios por meio de soluções inovadoras e eficazes para a construção de “smart cities”.

Saiba mais