Por Redação em 31/03/2021

Natural de Volta Redonda (RJ), Aline Rocha conta que cresceu alimentando o sonho de trabalhar na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). “A empresa é uma referência na cidade e sempre tive o desejo de fazer parte dela”, afirma. 

Para tanto, ainda bem jovem Aline decidiu seguir uma carreira técnica, com grande predominância masculina. Durante o ensino médio, ela fez o curso de técnico em mecânica, em uma conceituada escola da região, na qual conseguiu bolsa de 100%. 

“Na época, minha família tinha poucos recursos. Muitas vezes, fui para a escola apenas com a passagem de ida, e alguns colegas ajudavam. Como o curso era em período integral, também havia dias em que eu não tinha dinheiro para almoçar”, lembra. Porém, o esforço e a dedicação da profissional foram recompensados. Hoje, ela diz que as mulheres precisam encarar as dificuldades como oportunidade de aprendizado. 

Muitos desafios ao longo da trajetória fortaleceram a carreira

Logo após formada, Aline concretizou o seu primeiro sonho, que era trabalhar na CSN. Em 2002 ingressou na empresa como estagiária e no ano seguinte foi admitida como técnica em mecânica. 

“Nesse período, tive oportunidade de começar a carreira na área de coqueria da CSN. Depois, fui promovida à inspetora de manutenção, cargo responsável por planejar as manutenções e todos os recursos necessários para manter os ativos disponíveis para a operação. Eu trabalhava durante o dia e cursava engenharia mecânica à noite e aos sábados”, diz.

Ao se formar, ela passou a trabalhar na área de exploração e produção de petróleo, prestando serviços para a Petrobras. Aline atuava na área de planejamento de manutenção, na Bacia de Campos.

Após três anos e um breve intercâmbio em Londres, ela passou a ocupar o cargo de engenheira de operações na MODEC. Na empresa, Aline passou à coordenação de manutenção e parada de produção da frota do Brasil. “Nesta última função, liderei um time de planejadores de manutenção onshore/offshore e uma equipe de engenheiros de turnaround. Durante esse período, fiz MBA de engenharia de manutenção na Politécnica/UFRJ, e outros treinamentos de liderança pela Fundação Dom Cabral”, afirma. 

E foi com toda essa bagagem técnica que Aline chegou, em 2018, à NTS, empresa onde teve contato com a Transpetro, e em 2020, à TAG, que tem a ENGIE e CDPQ como acionistas e possui a malha mais extensa de gasodutos no país. Ela não parou de estudar e, nesse período, cursou a pós-graduação de Engenharia de dutos na PUC/RJ (2019).

Potencial de cada um independe de gênero

“Após 17 anos trabalhando na manutenção, posso dizer que ultrapassei os obstáculos que surgiram, por meio de experiência, estudo, trabalho em equipe, postura, respeito a diversidade e entendimento, principalmente, do meu papel na organização”, destaca. 

Questionada sobre dificuldades em sua carreira pelo fato de ser mulher, Aline diz que sempre precisou se impor e demonstrar conhecimento para conquistar seu espaço. “Vim do chão de fábrica e conheço muito bem a minha área, mas sinto que, pelo fato de ser mulher, inúmeras vezes precisei provar ser capaz. A determinação em alcançar objetivos e não ter desistido a cada obstáculo encontrado durante a minha carreira profissional foi fundamental para que hoje eu esteja ocupando o cargo de coordenação de manutenção na TAG”, finaliza.