Por Redação em 21/01/2020

O potencial técnico de energia eólica onshore no país é praticamente inesgotável. Segundo estudos técnicos do setor, é de cerca de 800 GW. “Este número representa 4,5 vezes a potência instalada no Brasil somando todas as fontes. É um potencial praticamente infinito porque nenhuma  matriz tem 100% de uma única fonte”, destacou Elbia Gannoum, presidente-executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) em entrevista para o site Sputnik.

A expansão da energia eólica depende do crescimento do PIB do país, segundo a executiva. Atualmente, na matriz elétrica nacional, a energia eólica ocupa o segundo lugar, com participação de 9,3%, o que corresponde a 15,9 GW de capacidade instalada, atrás das hidrelétricas, com 61% (102,9 GW). 

Conforme os dados da ABEEólica, o país conta com 619 parques eólicos, que operam em 12 estados.  Os ventos brasileiros são considerados de qualidade, com fator de capacidade (proporção entre a produção efetiva da usina em um período de tempo e a capacidade total) médio de 42%, enquanto o padrão mundial é de 25%. 

“Quanto mais veloz o vento, mais produtiva é a máquina e, consequentemente, menor o custo, por isso o desenvolvimento está concentrado nessas duas regiões brasileiras”

Potencial eólico concentrado no Nordeste e Sul

Os ventos são abundantes principalmente no Nordeste e Sul do país. Do total de 15 GW de capacidade instalada, 13 GW estão no Nordeste e 2 GW no Sul. “Quanto mais veloz o vento, mais produtiva é a máquina e, consequentemente, menor o custo, por isso o desenvolvimento está concentrado nessas duas regiões brasileiras”, destacou a executiva. 

Elbia destacou ainda que o país inteiro tem potencial para energia eólica e que à medida que a tecnologia vai se desenvolvendo, é possível desenvolver outras regiões. São Paulo, por exemplo, tem o mesmo nível que os ventos da Alemanha.

Conforme o Relatório Anual do Conselho Global de Energia Eólica (Global Wind Council – GWEC), o Brasil, atualmente, está em oitavo lugar no ranking dos países de matrizes eólicas. Porém, dificilmente, na opinião de Elbia, o Brasil chegará às primeiras colocações. Isso porque a China, os Estados Unidos e a Índia lideram os primeiros lugares e são países muito extensos, com forte demanda. “Só a matriz energética da China deve ter participação de 10% da eólica, o que corresponde a 200 GW de potência. Mesmo que a gente aproveite todo potencial eólico, não vamos chegar neste nível”, concluiu.

ENGIE tem quatro parques eólicos em operação no Brasil

A ENGIE Brasil tem uma capacidade instalada eólica de aproximadamente 1.000 MW, distribuídos em quatro conjuntos eólicos – Campo Largo, Uburanas, Trairi e Tubarão. Essa capacidade é suficiente para alimentar 1,3 milhão de famílias. Além disso, está construindo o complexo Campo Largo 2, que vai adicionar mais 361,2 MW ao portfólio da empresa no Brasil.