Por Redação em 09/07/2021

Para a presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Cristina Pinho, atingir as condições necessárias para limitar o aumento da temperatura global em 2ºC, conforme previsto no Acordo de Paris, não é um processo simples, mas é essencial para o atendimento às metas de descarbonização na indústria. “Embora as energias renováveis gerem empregos e fomentem a economia, muitos trabalhadores que atuam na área de petróleo e gás não têm opção, o que contraria os preceitos da transição justa”, disse ela, durante conferência online que integrou o Latin America Energy Week, evento promovido pela Siemens Energy.

Todavia, Cristina avalia que, apesar das dificuldades, o Brasil está em vantagem. “Nossa matriz energética tem 48% de energia renovável, contra uma média global de 14%. Além das fontes como solar, hídrica e eólica, já consolidadas no país, o hidrogênio verde deverá trazer novas janelas de oportunidades, assim como o novo mercado de gás”, ressaltou.

América Latina tem vantagem na transição

Para a ex-ministra de Minas e Energia da Colômbia, María Fernanda Suárez, é importante que a América Latina discuta as estratégias de descarbonização, mas com ciência de seu papel e de sua importância na transição.

“Precisamos entender onde estamos agora. Quando comparamos nossas emissões de carbono com as dos Estados Unidos, por exemplo, vemos que eles têm 12 toneladas anuais de CO2 per capita, enquanto nós, cerca de 2,5 toneladas per capita. As emissões latino-americanas são muito diferentes e isso precisa ser levado em consideração”, pontuou.

Para María, que assumiu o ministério entre agosto de 2018 e julho de 2020, e liderou a transição energética na Colômbia, é preciso investir em pesquisa e desenvolvimento para desenvolver meios de fornecer energia sustentável por valores acessíveis à população. “Essa será a chave para a América Latina, especialmente no momento pós-pandemia. Hoje, entre 60% e 70% das tecnologias que precisam ser implementadas ainda não existem. Precisamos nos assegurar de que o desenvolvimento aconteça de acordo com nossa realidade econômica”, disse.

Na avaliação do diretor geral da Siemens Energy no Brasil, André Clarck, as indústrias estão sendo pressionadas a avançarem nas mudanças, seja por consumidores ou seja por acionistas. “Descarbonizar o futuro da indústria é uma necessidade, e precisamos, juntos, criar estratégias para isso”, destacou.

Mudança de comportamento

Durante o debate, os participantes discutiram a importância da geração de energia sustentável e como essa necessidade representa uma oportunidade para o setor privado.

Para chegar ao chamado net zero (zero emissões líquidas de carbono), o setor de geração elétrica precisa ter queda de 40% de emissões globais entre 2020 a 2030, permitindo o alcance da neutralidade em 2050. Além disso, o acesso universal à eletricidade gerada a partir de fontes sustentáveis também precisa acontecer até 2030.

Outro fator considerado essencial para a descarbonização é a mudança de comportamento do consumidor. Hoje, as pessoas têm um olhar mais atento para o preço da energia, emissões e as suas consequências, o que pode contribuir para acelerar o processo de transição energética. No entanto, a infraestrutura para que as inovações cheguem aos consumidores também é fundamental, na visão do vice-presidente da Divisão de Aplicações Industriais da Siemens Energy, Thorbjörn Fors. “Existe um longo caminho a ser percorrido para a transformação e um dos pontos de atenção é a infraestrutura e a confiabilidade do serviço. Investir em inteligência é fundamental para isso”, disse.