Por Redação em 21/01/2020

O Brasil deve atingir 24,8 GW em capacidade instalada de energia solar até 2029. Esta é a projeção do último Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE), divulgado anualmente pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que mostra as perspectivas do governo para o período de dez anos

A principal motivação para a evolução do consumo da energia solar, de acordo com o estudo, é a expectativa de queda dos preços da tecnologia fotovoltaica. A EPE apresentou os dados de um levantamento da International Energy Agency (IEA) que constatou redução de preços em mais de 70% entre 2010 e 2018. 

O estudo também destaca o ganho de eficiência da tecnologia, que torna os equipamentos mais eficazes na captação de energia. 

Com todos estes avanços, a tendência é de que uma parcela dos projetos de energia elétrica, comercializados nos leilões do governo, seja de fonte solar. 

Geração 

O estudo também mostra que o crescimento das placas solares poderá chegar a 15 GW de capacidade em geração centralizada (grandes usinas solares) no final de 2029.

Já no segmento geração distribuída, os micro e minigeradores de energia solar fotovoltaica poderão somar 9,8 GW de capacidade até o final desse período. A estimativa é de que a geração distribuída poderá contribuir com até 17% do total do consumo de energia, beneficiando de 1,3 milhão de brasileiros e capacidade instalada de 11,4 GW.

Investimentos e metas

Mas o estudo da EPE alerta para os custos inerentes à produção. Para as previsões se concretizarem, serão necessários quase R$50 bilhões em investimento entre todas as fontes de energia renováveis incentivadas pelo segmento.

Além disso, o PDE 2029 ressalta a importância da matriz energética pelo seu caráter sustentável, o que contribuiria para que o país atinja as metas de descarbonização assumidas no Acordo de Paris.

Energia intermitente traz desafios na operação do sistema

Vale lembrar que a geração de energia intermitente – como a solar –  traz alguns desafios ao sistema interligado nacional. A baixa previsibilidade da geração a partir dessas fontes e a variação da produção ao longo do dia exigem novos modelos de simulação do sistema, novos critérios de operação do parque gerador e geração de reserva. E isso tudo pode ter um custo significativo.

Parte dessa complementariedade de geração poderia ser feita com as próprias hidrelétricas. Fontes renováveis como eólica e solar funcionam de forma bastante complementar às hidrelétricas e a um custo razoavelmente baixo. Além de as hidrelétricas promoverem a inserção econômica e ambiental de muitas famílias. No entanto, nos últimos anos a construção desses reservatórios no Brasil vêm enfrentando fortes críticas de ambientalistas em razão dos seus impactos socioambientais.