Por Redação em 06/07/2021

A transição energética para fontes sustentáveis agrega mais do que a redução de gases para o meio ambiente. A nova informação é que elas também podem gerar mais postos de trabalho. Os dados são do jornal Valor e registram um aumento de 35% na procura por executivos nessa área em 2020, de acordo com a consultoria especializada Michael Page. O movimento também acontece no sentido inverso: os postos de trabalho em setores como óleo e gás não mostrariam a mesma tendência e expectativa, segundo a reportagem. E o motivo é que essas indústrias devem encolher na próximas décadas.

Energias renováveis move milhões de postos de trabalho

De acordo com a Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), podem ser criados cerca de 5,5 milhões de empregos entre esse ano e o final de 2023. Eles estariam ligados à transformação energética, mas também já contemplariam mudanças num mundo pós-Covid 19.

Mais amplamente, a avaliação é que mercado de trabalho na área de energias renováveis deve crescer mais de 2,5 vezes até o fim da década, na avaliação da Irena. Em quantidade, pularíamos dos 11,5 milhões de postos (2019) para 30 milhões de vagas em 2030.

A reportagem também mostra que as fontes renováveis criam até três vezes mais empregos do que as organizações que exploram os combustíveis fósseis para cada milhão de dólares gastos. Porém, existem questionamentos e um dos mais sólidos veio do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo (Ineep), vinculado à Federação Única dos Petroleiros (FUP). A instituição divulgou estudo em que alerta para as incertezas sobre a qualidade e renda para o trabalhador nas indústrias que geram energia a partir de fontes renováveis.

Para o Brasil, o estudo da Irena contrapõe que estaríamos no segundo posto como maior gerador de postos de trabalho na indústria de renováveis. A indicação do estudo é que, em 2019, cerca de 1,15 milhão de postos ocupados estavam lotados no Brasil, e nessa categoria o país só perde para a China, que empregava 4,36 milhões de profissionais em empresas geradoras de fontes renováveis. O perfil também muda um pouco: os brasileiros que estão no setor trabalham na área de biocombustíveis, enquanto o perfil mundial indica a maior atuação no setor solar.