Por Redação em 15/07/2021

Uma das ações estratégicas de gestão ambiental da ENGIE é a atenção à ictiofauna nos reservatórios das usinas hidrelétricas. As boas práticas adotadas garantem o monitoramento e conservação da população de peixes nativos de cada uma das áreas, além de identificar espécies invasoras que podem impactar o ecossistema local.

“Nas áreas dos Rios Uruguai, em Santa Catarina, e Iguaçu, no Paraná, já realizamos a soltura de mais de 510 mil alevinos, considerando os reservatórios das Usinas Hidrelétricas Itá, Machadinho, Salto Osório e Salto Santiago”, disse a engenheira ambiental Grasiela Cardoso, coordenadora de processos ambientais da companhia.

Em 2020, segundo ela, a companhia iniciou um projeto de P&D, em parceria com a Universidade Federal do Paraná, para desenvolvimento e aplicação de ferramentas genéticas, como sequenciamento de nova geração (next generation sequencing), que auxiliam no monitoramento da fauna de peixes nos reservatórios. As atividades iniciais do projeto têm como foco a região da Usina Hidrelétrica São Salvador, no Tocantins.

Diagnóstico  de espécies invasoras integra ações de conservação

“Nos reservatórios de algumas usinas hidrelétricas, já temos de conviver com o molusco bivalve invasor denominado Limnoperna fortunei (Mexilhão Dourado)”, conta Grasiela. De acordo com ela, tal espécie, de pequeno porte, entrou nas bacias hidrográficas brasileiras através do processo de reposição das águas de lastro de navios vindos do sudeste da China. “O mexilhão dourado se multiplica rapidamente e se fixa nas estruturas das usinas, como grades, escadas, sistemas de refrigeração, tubulações e no próprio reservatório, em peixes, vegetação, bordas, etc. A sua presença gera impactos à operação, uma vez que o processo de limpeza das tubulações e sistemas de refrigeração deve ser continuado, além do impacto ao ecossistema do reservatório”, explica.

Desde 2018 a ENGIE vem desenvolvendo, em parceria com demais empreendedores do setor elétrico que possuem usinas hidrelétricas na cascata do rio Uruguai e com a Universidade Federal de Santa Catarina, um P&D voltado ao estudo da dinâmica da propagação do mexilhão dourado nos reservatórios. O projeto busca identificar os impactos locais causados pelo molusco, bem como métodos de monitoramento e controles biológicos, através de potenciais predadores presentes na bacia.

Manejo Sustentável

Além disso, alguns projetos envolvem a apresentação de técnicas de piscicultura aos produtores rurais, o que é uma forma de gerar renda para as comunidades no entorno dos rios, além de combater a pesca predatória, que causa desequilíbrio ao ecossistema.

Esse trabalho é desenvolvido na Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira (RO), na qual a ENGIE tem participação. Lá, de acordo com o Gerente de Meio Ambiente e Socioeconomia da empresa, Veríssimo Neto, foi implantado o programa de Manejo Sustentável do Pirarucu, que combate a pesca predatória e visa preservar a espécie, que está à beira da extinção. O pirarucu, nativo da Bacia Amazônica, é um dos maiores peixes de água doce do mundo, podendo chegar a três metros de comprimento e pesar até 200 quilos.