Por Redação em 05/04/2021

A 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-26), principal cúpula da ONU para debate sobre questões climáticas, será realizada entre os dias 1 e 12 de novembro deste ano, em Glasgow, na Escócia.

Realização conjunta do governo britânico com parceiros da Itália, a COP-26 tinha seu cronograma originalmente previsto para novembro de 2020; porém, como mais um dos reflexos da pandemia, sua realização foi adiada e remarcada para este ano. No entanto, independentemente da data, o evento tem grande relevância para que as ações de transição energética mundiais sejam colocadas em prática.

Mudanças climáticas em destaque

O tema é extremamente relevante, especialmente se considerarmos os efeitos negativos das políticas energéticas atuais, que ainda incluem a queima de fontes de energia fóssil e suas emissões, responsáveis pelo efeito estufa e aquecimento global.

Não há dúvida de que o uso de energia é necessário para a vida e as mais diversas atividades econômicas, mas é essencial avaliar o impacto dos recursos não-renováveis no meio ambiente e no clima. 

A queima de combustíveis fósseis no transporte ou em atividades industriais é uma das maiores responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono. O uso de tais fontes de energia, conforme o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), causa o aumento de 1,5ºC a 2ºC por ano, o que pode comprometer a ordem econômica e social mundial atual.

As regras para redução de emissões foram estabelecidas pelo Acordo de Paris e o Protocolo de Quioto, que estabeleceram metas obrigatórias de redução de emissões para 36 países industrializados e a União Europeia.

Como é o acordo para redução de emissões?

As regras determinadas pelo IPCC estabeleceram, inicialmente, a necessidade de redução média de 5% nas emissões, em comparação com os níveis de 1990, durante o período de cinco anos (ou seja, entre 2008 e 2012). A segunda fase foi de 2013 a 2020, com as Partes se comprometendo a reduzirem as emissões de gases do efeito estufa em pelo menos 18% (em relação aos níveis de 1990).

Porém, um número menor de países se comprometeu com essa segunda fase, além do fato de os Estados Unidos também não integrarem as etapas do Protocolo de Quioto.

Vale destacar que no caso do Acordo de Paris, as nações se comprometeram a implementar mudanças, estabelecendo metas nacionais para reduzir as emissões de gases de efeito estufa até 2025 ou 2030, com revisões a cada cinco anos. 

Mesmo assim, o governo federal retirou seu apoio e os EUA deixaram de seguir o combinado em novembro de 2020. Porém, com a eleição do novo governo, a perspectiva é de que o país volte a integrar o acordo.

Negociações oficiais

Para a realização da COP-26, os países signatários do Acordo de Paris deverão apresentar dados sobre a evolução das ações necessárias para o comprimento de metas, bem como propostas mais rígidas para reduzir as emissões até 2030.

As negociações oficiais começam duas semanas antes da COP-26, sendo que as questões são inicialmente discutidas pelos funcionários de cada governo, depois pelos chefes de estado. Dentre os temas em debate este ano estão:

  • mecanismos que permitam que os países comprem créditos de carbono de outras nações;
  • financiamento para perdas e danos sofridos por nações mais vulneráveis;
  • cumprimento da meta de investimentos em US$ 100 bilhões para ações voltadas à transição energética;
  • entendimento acerca da importância da valorização da natureza (florestas, ecossistemas e áreas agrícolas responsáveis), que podem absorver carbono e contribuir para reduzir os impactos climáticos.

Coalizões e alianças

O Reino Unido, que preside a COP-26, estabeleceu cinco ações prioritárias para a conferência:

  • ações que promovam a adaptação e a resiliência para que as populações aceitem os impactos das mudanças climáticas;
  • proteção de recursos naturais;
  • transição para o uso de energias renováveis;
  • substituição dos combustíveis fósseis no transporte e aumento da eletrificação dos veículos;
  • definição de financiamento para impulsionar as mudanças.

Confira a importância da COP-26

Com a pandemia do novo coronavírus e suas consequências financeiras, a recuperação econômica global é fundamental. No entanto, as nações devem priorizar o desenvolvimento sustentável, minimizando os impactos climáticos e ambientais. 

Assim, antes de sua realização, todas as nações integrantes do pacto devem apresentar o estágio de cumprimento das metas estabelecidas no Acordo de Paris e revisar os próximos passos da transição energética.

Em fevereiro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a COP-26 é “um marco crítico nos esforços para evitar uma catástrofe climática.” Nela, todos os países devem apresentar contribuições mais ambiciosas, com metas claras até 2030.