Por Redação em 05/01/2021

Os valores ESG vieram pra ficar e continuarão na ordem do dia para empresas e investidores, afirmam especialistas consultados pelo Além da Energia na série Perspectivas 2021.

“Os princípios ESG são uma abordagem inovadora do despertar global ocorrido pelo menos desde a ECO 92 acerca da sustentabilidade socioambiental”, explica a gerente de Meio Ambiente, Responsabilidade Social Corporativa e Transição Energética da ENGIE, Flavia Teixeira. “O que antes víamos como tendência, hoje é garantia de futuro, sobretudo para a resiliência dos negócios”, afirma.

Ela observa que os riscos historicamente alocados como não-financeiros, ocupam agora o debate estratégico nos níveis mais elevados das corporações, não apenas pelas implicações reputacionais, mas sobretudo porque a prevenção e vigilância reduzem a insegurança e os custos dos projetos.

“O ESG está na ordem do dia do mercado financeiro, com previsão de que 50% dos portfólios de investimentos adotem os princípios até 2025, e certamente serão decisivos para a alocação dos recursos”, diz. “Acredito que o futuro será mais promissor às empresas e instituições que adotarem os elementos ESG nas suas decisões de investimento”, afirma .

Práticas ESG serão consolidadas em 2021

“Apesar de termos iniciativas no Brasil desde o ano 2000, vimos uma aceleração sem precedentes em 2019 e 2020″, afirma Gustavo Pimentel, diretor executivo da SITAWI. Segundo ele, apenas nesses anos, a SITAWI já apoiou mais de 30 investidores ativos em renda variável, crédito, private equity, infraestrutura e imobiliário a desenvolverem suas políticas, metodologias e produtos ESG.

“Em 2021, estas novas práticas estarão implementadas, o que deve começar a gerar resultados em alocação de capital no Brasil”, vislumbra.

Alexandre Uhlig, do Instituto Acende Brasil, observa que, com a participação e a pressão do setor financeiro, a expectativa é que os princípios ESG se consolidem. “Precisamos sair do discurso e transformá-lo em prática, já tivemos um movimento na década de 90 com o tripé da sustentabilidade (triple bottom line): economia, meio ambiente e sociedade, que deixou alguns legados”, avalia.

Para Uhlig, os investidores estão cada vez mais atentos aos fatores que podem afetar o retorno dos investimentos realizados e consequentemente a alocação dos seus recursos. “Questões ambientais, de relacionamento com a sociedade e de governança corporativa são centrais e podem colocar tudo a perder se não avaliados corretamente”, conclui.

Objetivos não financeiros

O Grupo ENGIE pretende anunciar até o início de 2021 seus objetivos não financeiros para o ano de 2030. Serão, ao todo, 19 metas destinadas a ampliar não só os impactos positivos da companhia na sociedade, como também os benefícios para o meio ambiente e para a população no entorno dos projetos. E, assim, estar alinhada aos objetivos de desenvolvimento sustentável estabelecidos pelas Nações Unidas.

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