Por Redação em 16/03/2021

Diante das projeções de aumento da demanda, crescem os debates sobre como aumentar a produção de energia, em especial renovável. Foi nesse contexto que um estudo buscou analisar a viabilidade de usar espaços que já têm outros empreendimentos, aproveitando, assim, infraestruturas já existentes e a mão de obra para criar uma usina híbrida. Para isso, analisou a transformação de uma usina eólica em unidade híbrida, incluindo geração solar.

No documento, publicado no Brazilian Journal of Development, os pesquisadores estudaram como seria a instalação desse tipo de projeto em uma usina eólica em Araripina, Pernambuco. A pesquisa lembra que tanto a geração solar quanto a eólica oscilam ao longo do dia, mas que, juntas, acabam se complementando. Além disso, citam outro estudo segundo o qual acrescentar 20% de potência solar à usina eólica já reduz pela metade o número de vezes em que a usina passa sete ou mais horas com geração extremamente baixa.

Portanto, no cenário que criaram, os pesquisadores consideraram o acréscimo de 20% de potência instalada de fonte solar. Para os cálculos, o estudo propôs 10,6% como Taxa Mínima de Atratividade (TMA). O número representa a Taxa Média de Crescimento do Índice Bovespa nos últimos 20 anos. Ou seja, é necessário que a Taxa Interna de Retorno (TIR) supere a TMA para que se considere um projeto viável.

Viabilidade: usina híbrida rende quase R$ 60 mil a mais, em 20 anos

As análises indicaram uma TIR de 11,002%, superando a taxa necessária. O texto destaca, ainda, que, quando se compara o TIR à Selic — que está em 2% desde agosto de 2020 —, este se torna um investimento ainda mais interessante.

Além disso, eles analisaram o Valor Presente Líquido (VPL) da usina. O VPL usado na análise toma como referência de taxa de desconto a própria TMA proposta, 10,6%. Para esse valor, obteve-se um VPL em 20 anos de R$ 59 924,89, o qual se mostra atrativo, pois é maior do que zero (VPL>0).

Esse indicador compara a diferença no que se ganharia com um investimento em determinado projeto na comparação com o rendimento de outra aplicação. Desse modo, o estudo comparou o quanto um investidor ganharia ao longo de 20 anos com a usina e o quanto ele obteria investindo os recursos em um produto que rendesse os 10,6% da TMA. E, de acordo com os cálculos dos pesquisadores, a usina renderia R$ 59 924,89 a mais no período. Ou seja, mais um argumento mostrando a viabilidade deste tipo de usina híbrida.

Um exemplo de unidade híbrida é o projeto Tubarão, da ENGIE, em Santa Catarina. O empreendimento aproveita o espaço entre os aerogeradores, instalando painéis solares nesse espaço.