Por Redação em 15/01/2021

Um estudo com 11.700 empresas de 102 países mostrou o impacto da diversidade de gênero em questões como inovação e governança climática. O estudo é da Sasakawa Peace Foundation e tem como base dados da BloombergNEF.

De acordo com a fundação, é importante discutir a diversidade de gênero nas empresas porque, com uma força de trabalho mais diversa, há mais experiências, conhecimento e habilidades em jogo. Além disso, essas equipes conseguem analisar os problemas de diferentes pontos de vista e podem apresentar soluções mais aceitáveis para o público.

O texto diz que é necessário que 30% do conselho de diretores sejam mulheres para que se alcance uma massa crítica. Hoje, contudo, apenas 16% das empresas alcançam esse número. Apesar de ainda baixo, esse índice de 16% representa um aumento de 8 vezes em relação aos 2% registrados em 2009.

Legislação tem papel importante na promoção da diversidade

De acordo com o estudo, legislações específicas e a exigência de publicar informações sobre diversidade de gênero e mudança climática ajudaram a melhorar os índices. “Países europeus fizeram progresso significativo ao introduzir leis com metas para representação feminina em conselhos e iniciativas voluntárias desde 2011”. Na Ásia, contudo, ainda há certo atraso nas divulgações a respeito desses indicadores.

O texto também afirma que as principais empresas de petróleo que têm estratégias para descarbonizar e digitalizar os negócios tendem a ter maior presença de mulheres em seus conselhos. “A diversidade de gênero nesse setor, contudo, não contribui diretamente para reduzir as emissões e expandir a digitalização”, ressalva.

Diversidade promove governança climática em diferentes setores

A análise dos dados sugere que as empresas com mais de 30% do conselho com mulheres tiveram melhor governança climática nos últimos quatro anos. Esse movimento foi visto nos setores de utilities elétricas, petróleo e gás e de mineração. Esse indicador diz respeito à divulgação de dados ambientais. O estudo lembra que esse ponto sente também os efeitos de possíveis leis específicas que obrigam a divulgação dessas informações.

O artigo também cita um estudo da Haas School of Business, da Universidade da Califórnia, Berkeley. Este aponta que, com a maior diversidade, tendem a vir também mais investimentos em energias renováveis e na eficiência energética. Segundo o estudo, a maior presença de mulheres na diretoria “encoraja a busca proativa por práticas de negócios e oportunidades sustentáveis”.

E, em certa medida, um maior número de mulheres também pode ter relação com a redução de emissões. Segundo o relatório, globalmente, as emissões de empresas com uma diretoria, no mínimo, 30% feminina, cresceram 0,6% entre 2016 e 2018. Enquanto isso, aquelas que não têm sequer uma mulher no conselho, viram suas emissões subir 3,5% no mesmo período.

Efeito na inovação

O relatório aponta, ainda, que empresas com pelo menos 30% da diretoria composta por mulheres têm mais ativos intangíveis e investimentos em pesquisa e desenvolvimento. O texto explica que considera os ativos intangíveis como um critério de inovação, porque eles incluem patentes e copyrights, por exemplo.

Além disso, os gastos com pesquisa e desenvolvimento, outro indicador de inovação, têm forte relação com o valor de mercado das empresas. Os pesquisadores explicam que esse movimento acontece porque o investimento “é visto como uma semente para o crescimento de longo prazo”, explica.

Entre os 72 setores da pesquisa, o que mais investiu em pesquisa e desenvolvimento foi o de produção de automóveis, com internet e semicondutores logo atrás. E essas montadoras com os maiores índices de investimento também apresentaram alta presença de mulheres em seu comando. Porém, o cenário é diferente no setor de internet — com investimento maior em empresas com baixa diversidade.

Nas recomendações, o documento sugeriu, por exemplo, que se aumente e padronize a divulgação dos números para diversidade de gênero. Assim, seria possível encontrar uma correlação entre uma empresa mais diversa e seu desempenho em relação a questões climáticas — apesar de não ser possível estabelecer uma relação causal. Os pesquisadores estimulam, ainda, a adoção de metas de diversidade de longo prazo.