Por Redação em 17/07/2020

O segmento de transmissão é essencial para a dinâmica equilibrada de operação do sistema elétrico nacional, de acordo com estudo do Instituto Acende Brasil. A transmissão pode, inclusive, ser um agente da transição energética para uma matriz de baixo carbono, já que as linhas de transmissão são essenciais para o intercâmbio energético necessário à geração a partir de fontes intermitentes.

Segundo o instituto, a transmissão de energia permite a otimização da operação por meio da exploração das vantagens comparativas das diferentes fontes e tecnologias de geração. Também é a transmissão que permite aumentar a confiabilidade do sistema ao integrar todos os recursos disponíveis. A expansão do segmento também é crucial devido à existência de usinas localizadas em regiões remotas do país.

O crescimento do sistema de transmissão no Brasil depende em boa parte da ampliação da geração prevista para os próximos anos. Portanto, este é um dos principais desafios do setor para permitir maior integração energética no país. O relatório demonstra que o setor enfrenta outros desafios, como o rigor na avaliação ambiental (dificuldades no licenciamento) e as exigências de confiabilidade impostas pelo regulador setorial.

Além da expansão da transmissão requerida para escoar a energia das novas usinas até as regiões que precisam de energia adicional, há uma demanda por expansão da transmissão para aumentar a flexibilidade operacional do sistema; agregar sistemas isolados ao Sistema Interligado Nacional; e interligar sistemas de outros países, segundo o documento.

Modernização da transmissão e a transição energética

Há também a necessidade de modernização da rede existente para comportar as demandas futuras. Grande parte da rede de transmissão instalada é antiga, sendo que o tempo de operação de uma grande parcela dos ativos já supera a sua vida útil projetada. O Instituto aponta que deverá haver incentivo para modernização do sistema, possibilitando maior flexibilidade e ganhos de eficiência, produtividade e confiabilidade do serviço.

Outro fator que deve ser considerado é que um sistema de transmissão bem planejado e modernizado otimiza a construção de novas usinas de geração, o que também contribui para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

A metodologia de definição dos custos operacionais afeta tanto a sustentabilidade econômico- -financeira das concessionárias existentes de transmissão quanto a atratividade da atividade para novos investimentos. Por conta disso, o Instituto recomenda que aprimoramentos na metodologia são necessários para que o setor proporcione uma perspectiva de retorno compatível com nível de risco que a atividade apresenta.

“Há necessidade de equacionamento regulatório para que o sistema de transmissão possa a voltar a evoluir ao ritmo demandado pelo desenvolvimento do país e para que as barreiras e custos que desnecessariamente pesam sobre o elo da transmissão de eletricidade no Brasil sejam removidos”, diz o documento.