Por Redação em 16/07/2020

Buscar uma recuperação econômica com base no baixo carbono poderia não apenas iniciar as reduções significativas de emissões necessárias para interromper a mudança climática, mas também criar mais empregos e elevar crescimento econômico. É o que afirma estudo da McKinsey sobre o tema, que sugere investimentos em descarbonização e eficiência energética para a obtenção de um resultado concreto em empregos.

O vice-presidente executivo do grupo ENGIE, Franck Bruel, destacou o estudo em sua conta no twitter, ressaltando esses dois investimentos como grandes criadoras de empregos.

Pelas projeções da consultoria, seriam necessários investimentos de 75 bilhões a 150 bilhões de euros em estímulos à economia em políticas de descarbonização, levando em conta um país europeu. Esse montante poderia resultar de 180 bilhões a 350 bilhões de euros de valor agregado bruto, gerando até três milhões de novos empregos e ainda permitindo uma redução nas emissões de carbono de 15% a 30% até 2030.

Descarbonização e eficiência energética industrial como medidas

O estudo da McKinsey propõe diversas medidas de recuperação econômica, baseadas no modelo europeu, com fortes benefícios socioeconômicos e efeitos de descarbonização no curto, médio e longo prazos. Veja quais são elas:

  • Melhorar a eficiência energética industrial através de meios como a substituição de equipamentos e a atualização das tecnologias para evitar o desperdício de calor;
  • Criar uma infraestrutura de captura e armazenamento de carbono em torno de grandes clusters industriais;
  • Reformar casas para aumentar a eficiência energética – por exemplo, com aquecimento;
  • Instalar sistemas de construção inteligente, especialmente em prédios comerciais, para gerenciar melhor o aquecimento, ventilação, ar condicionado, iluminação e segurança;
  • Reforçar a rede de distribuição de eletricidade (incluindo interconexões) para apoiar a eletrificação generalizada;
  • Expandir o armazenamento de energia em larga escala e em comunidade;
  • Acelerar o aumento da capacidade instalada pela geração de energia eólica e solar;
  • Acelerar projetos de iluminação pública por LEDs;
  • Expandir as redes de carregamento de veículos elétricos;
  • Aumentar a produção de veículos elétricos;
  • Criar projetos de transporte rápido e ferroviário urbano;

O aumento de emprego desse pacote de estímulo está estimado em 1,1 milhão a 1,5 milhão de novos postos. “Essas estimativas são conservadoras, contabilizando apenas os empregos criados à medida que o dinheiro for desembolsado. Por padrão, a maioria dos empregos seria de baixa ou média qualificação, cuja demanda será maior e muitos estão em setores (por exemplo, indústria) que têm um grande número de empregos em risco”, diz o relatório.

Essas medidas, segundo a McKinsey, reduziriam as emissões de CO2 em 15% a 30% em relação aos níveis atuais, até 2030. Essa redução seria responsável por boa parte da queda de 50% das emissões considerada necessária para atingir um aquecimento de 1,5°C até 2030.

Medidas para os formuladores de políticas

Para implementar as medidas de estímulo para uma economia de baixo carbono, a McKinsey destacou quatro iniciativas aos formuladores de políticas que são necessárias para êxito dos programas.

  1. Créditos e benefícios fiscais, por exemplo, podem ajudar a acelerar melhorias com relação à eficiência energética industrial.
  2. Empréstimos e garantias de financiamentos podem preencher lacunas do crédito privado, com potencial redução das taxas de juros. Essas ações podem, por exemplo, apoiar a montagem da infraestrutura de veículos elétricos, diminuindo o risco para as operadoras.
  3. Financiamentos de projetos em pesquisa e desenvolvimento com custos administrativos baixos.
  4. A administração direta do governo em projetos que não possuem um fluxo de receita que gere interesse do setor privado. Esses projetos podem abranger sistemas de captura e armazenamento de carbono produzidos pelo uso de combustíveis fósseis na geração de eletricidade e processos industriais.

Em muitos países, os esforços para fornecer alívio econômico e reiniciar o crescimento após a pandemia estão bem encaminhados. Governos de todo o mundo dedicaram mais de US$ 10 trilhões a medidas de estímulo econômico. A McKinsey estima que os países do G-20 anunciaram medidas fiscais com média de 11% do PIB, cerca de três vezes mais do que os gastos com a recuperação da crise financeira de 2008-09.

O apoio com foco ambiental está aumentando. A aliança informal de recuperação verde, lançada em abril por 12 ministros do meio ambiente de países europeus, 79 membros do Parlamento Europeu e 37 CEOs e associações de empresas, juntou-se a mais de 50 CEOs de bancos e seguros. Os principais executivos de mais de 150 empresas assinaram um comunicado público pedindo uma recuperação líquida em zero emissões. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a chanceler alemã Angela Merkel disseram que o Acordo Verde da Europa deve constituir o centro do plano de recuperação da economia da Europa.