Por Redação em 23/11/2020

O governo apresentou o estudo “Sistemas Energéticos do Futuro: Integrando Fontes Variáveis de Energia Renovável na Matriz Energética do Brasil”, que analisa o que a integração de grandes quantidades de fontes renováveis variáveis no Sistema Interligado Nacional (SIN) exige. O texto sugere melhorias em regras para as energias renováveis e indica algumas questões tecnológicas para que as fontes solar e eólica possam ser mais usadas no Brasil sem risco ao fornecimento.

De acordo com o documento, para que haja sucesso na integração das fontes renováveis variáveis no Brasil, é necessário que a regulação dê apoio ao desenvolvimento e à implementação dessas fontes ao grid do país. A análise das regras brasileiras mostrou que estas cobrem “todas as dimensões relevantes”, conforme o texto.

No entanto, é possível melhorar no que diz respeito à compensação em momentos nos quais a produção é zero; na definição de exigências mínimas dos parques de energia; nas exigências de conexão e desempenho de sistemas de armazenamento de energia em bateria, entre outros.

Importância dos smart grids

O estudo destaca o tamanho do mercado de energia eólica do país como um dos maiores do mundo e o maior na região da América Central e do Sul. A capacidade instalada quadruplicou em 7 anos e deve alcançar 19 gigawatts no fim de 2021. Além disso, espera-se que os parques eólicos cresçam também em eficiência.

Já para parques eólicos, espera-se que o Capex (capital expenditure, expressão em inglês que define o recurso financeiro necessário para comprar ou investir em algo) para painéis fotovoltaicos “continue caindo até 2025 em 20%”. Essa queda deve se manter até 2035. O recuo nos custos deve ser impulsionado por fatores como economia de escala (com fazendas maiores) e melhoras na tecnologia.

O uso massivo de energias renováveis exige uma reserva operacional das fontes tradicionais (hidrelétricas e térmicas). Isto é necessário porque estas suprem a rede quando a produção das fontes variáveis cai. Neste ponto o Brasil está bem porque as hidrelétricas representam 65% da capacidade instalada do país.

Com o avanço das energias eólica e solar, vai crescer também a necessidade de prever melhor essa produção, uma vez que ela é variável. Esses dados servem, por exemplo, para ajudar a controlar a produção ou determinar a reserva necessária para garantir que não falte energia.

Outra tecnologia importante diz respeito aos smart grids, ou redes inteligentes. A capacidade de detectar, analisar, responder e mesmo recuperar falhas na rede rápida e automaticamente é uma das funções que o estudo lista como importantes para essa integração. Também recomenda-se um alto nível de automação.

Estudo sobre renováveis no Brasil é fruto de parceria com Alemanha

Também será necessário investir em transmissão, porque muitas vezes os parques ficam em zonas remotas.

Já as baterias para armazenar energia também devem ganhar em preço e desempenho ao longo dos anos. Mas o estudo diz que nenhuma bateria vai atender a todas as necessidades. Portanto, cada um destes dispositivos vai se tornar relevantes para um uso diferente (como estabilizar a voltagem no sistema, gerenciar a energia, servir de reserva para casos de emergência etc.).

A ideia do estudo surgiu no âmbito da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, dentro do Programa Sistemas de Energia do Futuro. Participaram do estudo o Ministério de Minas e Energia (MME), além de outras instituições do setor elétrico nacional. Estão entre elas a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o Operador do Sistema Elétrico Nacional (ONS), por exemplo.