Por Redação em 08/06/2020

A Suécia encerrou a atividade da última usina a carvão, um marco para o país escandinavo que tinha como meta encerrar a geração de energia do mineral  até 2022. Com o fechamento da usina Estocolmo Exergi, a Suécia é a terceira nação europeia a desativar todas as usinas a carvão em sua matriz elétrica. Esse é um movimento que está ocorrendo mundialmente, como parte da transição para uma economia de baixo carbono.

Recentemente, a Áustria também anunciou a sua saída da última usina de carvão, Verbund, em 17 de abril. E em 2016, a Bélgica já havia encerrado a geração a carvão no país. A Europa  incentiva a eliminação total do carvão em conformidade com os compromissos climáticos do Acordo de Paris.  Sendo assim, o movimento de saída do mineral vai abranger outras nações em breve.

A França, por exemplo, colocou como meta o encerramento da última instalação a carvão em 2022, a Eslováquia e Portugal, em 2023. Na sequência, será o Reino Unido em 2014 e a Irlanda e a Itália em 2025. Os países vizinhos, Grécia, Holanda, Finlândia, Hungria e Dinamarca também planejam  acabar com a geração de energia a carvão até 2030. Já a Alemanha deverá demorar um pouco mais, com previsão de encerramento do carvão em sua matriz em 2038.

Desativar usinas a carvão é caminho natural na transição energética

O carvão foi durante muito tempo uma fonte de energia barata, limpa e essencial para países que não dispunham de outras alternativas mais econômicas, como usinas hidrelétricas. Com o avanço das tecnologias de fontes renováveis, eólicas passaram a competir em custo com a fonte e se tornaram uma alternativa de geração renovável com o objetivo de descarbonização assumido pelos países.

O carvão mineral também foi importante em países de forte base hídrica, como o Brasil, como fonte complementar em períodos de baixa estiagem. Nas últimas décadas, a tecnologia dessa fonte avançou para se tornar menos poluente, mas ainda assim é emissora de gases do efeito estufa. Até o fechamento desta matéria, o Brasil tinha 13 usinas a carvão mineral, totalizando potência instalada de 3.202 MW. Importante destacar que no Brasil o setor elétrico é responsável por uma parcela mínima das emissões.

Queda na demanda por carvão

Independentemente do movimento europeu e de outros países que visa atender aos acordos climáticos, a crise da Covid-19 tem causado redução da demanda global por carvão.  De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE) em relatório que mede o impacto do vírus no setor de energia, a expectativa é que a quantidade de combustível queimado para energia mostre queda de 10% para este ano.  Na China, que é a maior consumidora de carvão do mundo, a demanda por essa fonte energética deve diminuir para 5%. Já na Europa, a projeção é de queda na demanda de consumo de 20% na demanda, e nos EUA a redução pode chegar a 25%.