Por Redação em 21/01/2020

Após décadas de uso indiscriminado de fontes de energia fósseis, o planeta e a sociedade sofrem com o impacto das emissões de poluentes liberados na atmosfera. Porém, ainda há tempo de reverter os danos. De acordo com estudo publicado pelo Nature Communications, a adoção de fontes renováveis de geração de energia podem reduzir em até 80% as emissões de carbono até 2050. 

O estudo analisou os benefícios da descarbonização do setor de energia, um dos setores que mais emitem poluentes na atmosfera atualmente. Com o uso das fontes renováveis, como as energias solar e eólica, os resultados são significativos para a melhora da qualidade do ar, segundo informações do Portal Solar

Gunnar Luderer, autor do levantamento pelo Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático, disse que o resultado influencia diretamente no estilo de vida dos cidadãos. “Ao mudarmos para fontes renováveis de produção de eletricidade, poderemos eliminar os efeitos negativos para a saúde humana em até 80%”, afirmou em nota.

Outro aspecto destacado pelo pesquisador, é que o uso de energias renováveis pode desestimular guerras pelo petróleo no mundo.

“Ao mudarmos para fontes renováveis de produção de eletricidade, poderemos eliminar os efeitos negativos para a saúde humana em até 80%”

Desafios

No entanto, a pesquisa mostra os entraves para o avanço da matriz energética renovável em escala global. De acordo com o texto, a produção de energia limpa precisaria de mais terrenos do que o exigido por combustíveis fósseis, e, por questões econômicas, esse espaço é limitado e se torna cada vez mais escasso. 

Além disso, a energia gerada de forma mais limpa também precisaria ser armazenada em superbaterias. Além de metais comuns, seriam necessários alguns componentes específicos, como o neodímio e o telúrio, usados, respectivamente, em turbinas eólicas e em células de energia solar. 

Outro entrave é a disponibilidade das fontes energéticas. Em alguns países ou regiões, por exemplo, o carvão mineral é a única fonte existente.

Perspectivas

De todo modo, o estudo prevê que até 2050, as fontes de energias renováveis como a solar, a eólica, a geotérmica e a marítima poderão abastecer em até 80% da demanda mundial. Com essa expectativa, o setor de energia limpa vai ganhar mercado com a gradual substituição dos mecanismos de emissão de energias poluentes, como carvão, petróleo e gás.

Brasil 

É importante destacar que o Brasil já está no caminho da transição energética. Segundo relatório da Moody’s Investors Service, entre os países da América Latina, o Brasil apresenta as condições mais favoráveis em termos de presença de fontes de energia limpa na matriz. A produção de energia renovável no país é de 82% do total, contra 60% no Peru, 17% no México, 15% no Chile e apenas 2% na Argentina. Inclusive, o país já chegou a 86% da meta de energia limpa, contra 60% da meta cumprida por parte do Peru e 35% pelo México. Chile e Argentina alcançaram apenas 20% das suas metas de inserção de energias limpas nas matrizes energéticas.