Por Rose em 07/06/2021

Com mais de 20% de participação no PIB nacional, o setor industrial não é mais responsável pelo grande volume de emissões. Com a sua modernização e adequação às metas de transição energética, a indústria nacional responde por apenas 6% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil. Isso, claro, é possível pela grande participação de fontes renováveis na matriz energética nacional.

De acordo com o presidente da Câmara de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), José Lourival Magri, a resiliência do setor frente às mudanças do clima é primordial. “A indústria catarinense, fazendo frente e indo ao encontro do acordo de Paris, é exemplo no Brasil em relação à reciclagem de materiais, em especial plásticos, papeis, papelão e metais ferrosos e não-ferrosos”, disse em entrevista à Agência CNI de Notícias.

Segundo ele, os vários segmentos industriais estão promovendo mudanças significativas em direção à economia de baixo carbono. Um exemplo está nas empresas ligadas ao agronegócio e à produção de proteína animal. Elas vêm, a cada dia, aumentando os controles para evitar gases de efeito estufa (especialmente o metano), com a introdução de biofertilizantes e o aproveitamento destes gases na produção de energia. Além disso, o uso racional da água contribui para evitar a escassez e conflitos em períodos de estiagem prolongados.

Vegetação nativa reduz emissões de CO2

Santa Catarina possui 38% (3,62 milhões de hectares) de seu território com florestas nativas e 10,5% (1 milhão de hectares) com florestas plantadas, segundo dados do levantamento florestal da Furb/Udesc (2020). 

As plantações de pinus e eucaliptos são utilizados nas indústrias madeireira e de papel e celulose, sendo responsáveis por armazenar carbono na ordem de 25 milhões de toneladas de CO2 por ano. “Além disso, os resíduos desta atividade são utilizados na geração de energia térmica e elétrica, o que evita a emissão de cerca de 500 mil toneladas de CO2 por ano. Apenas nas florestas plantadas uma absorção de 10 milhões de toneladas além do que são emitidas”, explica Magri.

Relatório da CNI destaca bom desempenho da indústria nacional com uso de fontes renováveis

Na avaliação de Davi Bomtempo, gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a indústria brasileira vem construindo metas cada vez mais ambiciosas de descarbonização. Em seu estudo, a Confederação apontou vários desses avanços, principalmente os decorrentes de fontes renováveis,  da transição energética e da melhor gestão ambiental em diferentes indústrias. Veja:

  • Na indústria cimenteira, a participação nas emissões nacionais é de 2,3%, o que representa cerca de um terço da média mundial;
  • No setor de papel e celulose, 9 milhões de hectares são destinados ao cultivo de árvores para fins industriais, enquanto outros 5,9 milhões de hectares são preservados em florestas nativas. Elas estão entre Áreas de Preservação Permanente (APP), Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) e Reserva Legal (RL). Juntas, essas áreas estocam 4,48 bilhões de CO2 equivalente;
  • O Brasil tem uma das maiores taxas de reciclagem de alumínio do mundo. O alumínio reciclado responde por cerca de 56% do volume total do consumo dos produtos de alumínio no país, enquanto a média global é de 26%. No caso das latas de alumínio para bebidas, a proporção chega a 97%;
  • A reciclagem de vidro no setor de embalagens alcança 40%. Com regulamentação e incentivo adequados, o percentual de reciclagem desse material pode chegar rapidamente a 80%. Quanto mais reciclamos, mais significativamente reduzimos as emissões;
  • A indústria química reduziu em 44% as emissões de gases de efeito estufa por processos industriais entre 2006 e 2016; 
  • As empresas siderúrgicas brasileiras são pioneiras no mundo em relação ao uso de biomassa renovável. As certificações incluem não apenas o uso sustentável das áreas, mas também o respeito aos direitos dos colaboradores, garantindo condições dignas de trabalho.