Por Redação em 30/11/2020

As chamadas hidrelétricas reversíveis têm desde o início de novembro de 2020 um fórum próprio de debates, encabeçado pela Associação Internacional de Hidreletricidade (IHA) e o Departamento de Energia dos Estados Unidos.  A ideia é que, em novembro de 2021, o fórum possa apresentar ações para promover esse tipo de empreendimento em escala mundial.

As discussões serão focadas nas reformas regulatórias e técnicas necessárias para superar barreiras às hidrelétricas reversíveis. O grupo conta com a participação de 11 países, incluindo o Brasil, e mais de 60 organizações.

As hidrelétricas reversíveis são vistas como a maior tecnologia de armazenamento de energia no mundo. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), elas respondem por 94% da capacidade de estocagem de energia global – ou cerca de 9 mil GWh.

A definição de armazenamento comumente usada é a conversão de energia elétrica de um network em uma forma em que possa ser convertida de volta em energia elétrica – como por exemplo baterias e hidrelétricas conversíveis. Essa conta, portanto, não inclui hidrelétricas convencionais.

Estima-se que mais de 600.000 locais identificados recentemente possam abrigar esse tipo de usina. Além de haver oportunidades para modernizar hidrelétricas existentes. De acordo com a Associação Internacional de Energia Renovável (Irena), a capacidade de armazenamento em hidrelétricas reversíveis precisa dobrar até 2050 para garantir metas ambiciosas de mudanças climáticas.

Como funcionam as hidrelétricas reversíveis

Neste tipo de usina, a geração de energia se dá a partir da água que é bombeada de um reservatório em uma altitude mais baixa para um localizado em local mais alto. O bombeamento pode ser abastecido por outras fontes renováveis, como eólicas, ou comprada no sistema. Assim, a geradora poderá escolher o momento de bombear água para o reservatório, dependendo do custo de geração em determinado momento. Segundo a IHA, as reversíveis são tidas como “baterias de água do mundo”.

O vídeo abaixo mostra o funcionamento de uma hidrelétrica reversível:

Para a associação, as hidrelétricas reversíveis são “um complemento ideal” para sistemas de energias limpas porque podem “acomodar a variabilidade e sazonalidade” das fontes solar e eólica. A IHA lembra que as usinas hidrelétricas são uma fonte de energia com zero emissão de carbono. Além disso, a longa vida útil de seus ativos, a grande capacidade de armazenar água e o baixo custo baixo estão entre as vantagens deste modelo de usina.

ENGIE é associada

No comunicado, a IHA também defende que se invista mais em hidrelétricas reversíveis para lidar com a crescente demanda em função do avanço da transição energética.

Fazem parte da iniciativa, além do Brasil e dos Estados Unidos, Áustria, Estônia, Grécia, Índia, Indonésia, Israel, Marrocos, Noruega e Suíça. Entre os outros organismos estão instituições financeiras, como o BNDES, organizações sem fins lucrativos e empresas de energia. No Brasil, a ENGIE e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) também participam.

A ENGIE faz parte do Conselho de Administração da IHA desde 2009, via Brasil, maior centro de expertise de hidreletricidade do Grupo.