Por Redação em 15/01/2021

O fundo de pensão do Estado de Nova York, nos Estados Unidos, pode desinvestir de empresas de petróleo e gás que não se adequem às metas do Acordo de Paris. Isso porque, segundo o controlador do estado, Thomas P. DiNapoli, o fundo — que tem patrimônio de US$ 226 bilhões — adotou a meta de ter um portfólio com zero emissões de poluentes até 2040.

A ideia é definir critérios mínimos que as empresas devem cumprir para que o fundo de pensão invista nela. Assim, caso não os atendam, elas poderão sair do portfólio. Segundo o jornal The New York Times, é a maior medida deste tipo por parte de um fundo de pensão dos EUA. Em 2019, o portfólio do fundo tinha US$ 12 bilhões em ações de empresas com alguma relação com combustíveis fósseis, diz o jornal.

Em nota, DiNapoli afirmou que o fundo está na vanguarda dos investidores preocupados com o clima “porque investir para o futuro de baixo carbono é essencial para proteger o valor de longo prazo do fundo”. “Continuamos a avaliar empresas do setor de energia no nosso portfólio por sua capacidade futura de gerar retornos de investimento à luz do consenso global sobre mudança climática”, acrescentou.

Fundo deve concluir em 2025 as listas de parâmetros para as empresas

Segundo o controlador, contudo, a decisão de tirar os investimentos de uma empresa será o último recurso contra as que continuarem com as más práticas.

Ainda conforme a nota, o fundo de pensão de Nova York já havia estipulado padrões mínimos para a indústria de carvão e, com isso, retirou seu capital de 22 empresas do setor. Atualmente, o fundo está concluindo sua avaliação a respeito de nove empresas de areias betuminosas. E vai criar os padrões mínimos para seus investimentos em petróleo de xisto e em gás.

A partir daí, o fundo vai passar a criar padrões para outros tipos de óleo e de gás. E incluirá também empresas envolvidas na cadeia, como as de equipamentos, serviços e transportes, por exemplo. A expectativa é que as exigências e a decisão sobre as companhias que podem ficar no fundo ou não fiquem prontas em 2025. Além disso, o fundo vai avaliar se as empresas em seu portfólio estão em “um caminho de transição viável para o baixo carbono”.

As empresas de petróleo já vêm mudando seu comportamento. Este ano, por exemplo, 12 grandes companhias definiram uma meta conjunta de emissões de carbono. E executivos do setor apontam a diversificação de portfólios como uma estratégia importante nessa transição para um futuro com menos carbono. Nesse sentido, empresas como Total, BP, Shell, Equinor ampliaram seus negócios em fontes de energia renovável este ano.