Por Redação em 28/08/2020

Os tempos, definitivamente são outros: 12 grandes empresas de petróleo definiram uma meta conjunta para controlar suas emissões de carbono. Com isso, o grupo pretende reduzir a proporção de suas emissões de gases agravadores do efeito estufa em relação ao volume de material produzido. Fazem parte da iniciativa gigantes como a saudita SaudiAramco, a americana Exxon Mobil e a brasileira Petrobras.

Em outras palavras, isso quer dizer que o total emitido pode até aumentar (caso a produção cresça). Mas a medida sinaliza uma tentativa de controlar as emissões das petroleiras, uma reação às pressões sobre o setor diante das mudanças climáticas. Para se ter uma ideia do impacto potencial, o grupo é responsável por mais de 30% da produção mundial de óleo e gás.

O presidente do conselho da Iniciativa do Clima do Setor de Óleo e Gás (OGCI, na sigla em inglês), Bob Dudley, disse à Reuters que se trata de “um marco significativo”, embora tenha reconhecido que não seja “o fim do trabalho” e afirmado que eles continuarão calibrando as metas conforme avançam.

Pelo acordo, as petroleiras reduzirão as emissões de carbono de operações agregadas para algo entre 20kg e 21 kg de CO2 equivalente para cada barril de petróleo equivalente. Essa meta deve ser alcançada até 2025, afirma o comunicado do grupo. O número representa uma diminuição de até 13% em relação à linha de base coletiva de 2017, que era de 23kg por barril equivalente.

Metas individuais de redução de emissões são maiores

Essas metas, entretanto, parecem pequenas quando comparadas a iniciativas individuais de membros do grupo. A Shell, por exemplo, pretende zerar as emissões de suas operações dentro das categorias conhecidas como escopo um e dois até 2050. Além disso, a companhia holandesa quer reduzir, ainda, a pegada de carbono dos produtos que comercializa (o chamado escopo três). A objetivo é emitir 30% menos até 2035, e 65% até 2050.

Contudo, Andrew Grant, chefe de óleo, gás e carvão do thinktank Carbon Tracker, ressalva que não é correta a afirmação das petroleiras de que a medida do grupo está alinhada com o Acordo de Paris, que visa a conter o aquecimento global.

“A indústria (de óleo e gás) nunca pode se considerar ‘alinhada’ com as metas de Paris quando os planos de negócios preveem investimento estável na produção de combustível fóssil em um planeta com limites absolutos”, afirmou Grant à Reuters.