Por Redação em 17/03/2021

É preciso se precaver de possíveis alterações no regime hidrológico ocasionadas por mudanças climáticas. O alerta é do Instituto Acende Brasil, que enviou, para a Consulta Pública realizada entre os meses de julho e outubro de 2020, reflexões sobre temas relevantes para todos os cenários desenhados no Plano Nacional de Energia 2050 (PNE 2050), elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Para o Instituto, é importante monitorar os dados pluviométricos e vazões hidrológicas para identificar possíveis alterações estruturais no seu padrão de ocorrência e conduzir o planejamento considerando, por exemplo, cenários hidrológicos alternativos que diferem do padrão histórico.

“A maior incidência de eventos climáticos extremos pode impactar negativamente as operações de geração, transmissão e distribuição de eletricidade, e representar perdas econômicas relevantes para o sistema”, diz o documento.

Outro ponto considerado o aumento da oferta de potência, que pode ser obtido por alterações na política operativa ou mudanças na estrutura de incentivos proporcionada pela regulamentação para fomentar investimentos que maximizem a capacidade de modulação da geração hidrelétrica.

De acordo com o Instituto, a segunda alternativa poderia ser implementada via leilões de potência.

Outro tema abordado pelo white paper é a renovação e modernização do sistema de transmissão. Para o Acende Brasil, a modernização das instalações de transmissão cuja vida útil regulatória esteja expirada pode se beneficiar da adoção de tecnologias modernas que proporcionariam maior digitalização da rede, criando alternativas de monitoramento, otimização de operação e manutenção e intervenção remota.

Recursos Energéticos Distribuídos e Regulação da Geração Distribuída

O avanço dos chamados Recursos Energéticos Distribuídos, como tecnologias de geração e armazenamento de eletricidade, representa um desafio ao planejamento setorial e à operação das distribuidoras.

Para o Instituto Acende Brasil, a atuação das empresas de distribuição de eletricidade, passa a ter características mais próximas de um Operador de Sistemas de Distribuição do que um Operador de Redes de Distribuição.

“A regulação setorial precisa caminhar na direção de reconhecer esta nova realidade, bem como os benefícios e riscos que representa para o sistema elétrico e para as empresas”, afirma o documento.

O white paper aborda ainda o tema segurança cibernética. Para o Acende Brasil, a crescente digitalização das redes elétricas garante melhor qualidade na gestão da operação e manutenção do sistema, mas representa um risco para a segurança das informações e até para a operação do sistema.

“Por se tratar de uma nova realidade para o setor, observa-se um vácuo regulatório acerca do tema, e o PNE 2050 poderia ser um instrumento importante para abreviar esse vácuo”, conclui o documento, proposto como uma reflexão necessária “independentemente do tipo de matriz elétrica e energética que teremos no horizonte de 2050”.