Por Redação em 08/07/2021

A transição energética rumo à descarbonização requer inovação, além de ações conjuntas entre os setores público e privado, especialmente para a produção de hidrogênio verde. Um exemplo disso é o projeto Haru Oni, desenvolvido pela Siemens Energy e algumas organizações parceiras, que está usando a energia eólica para produzir hidrogênio verde a partir da eletrólise no Chile.

Juntamente com o CO2 capturado do ar, esse hidrogênio verde dá origem ao metanol sintético, que é a base da produção de combustíveis líquidos como o e-etanol, a e-gasolina, o e-diesel e o e-querosene, para serem utilizados em meios de transporte. Em uma terceira etapa, cerca de 40% do metanol é convertido em gasolina sintética.

“Neste ano, começamos uma fábrica que vai produzir 500 quilos/dia de combustível zero carbono e, a partir de 2022, chegaremos entre 12 a 14 mil barris/dia. Planejamos construir seis fábricas no Chile, embora a nossa meta seja ser uma empresa global”, disse o CEO da Ame, empresa que integra o projeto-piloto de Combustíveis Altamente Inovadores (HIF), Cesar Norton.

Combustíveis sintéticos têm papel relevante na descarbonização

Segundo Norton, a Ame também está desenvolvendo soluções nos Estados Unidos e na Austrália. “Precisamos ter aumento de escala para sermos competitivos”, afirmou, durante painel online promovido pela Siemens Energy, em 24 de junho, para a Latin America Energy Week. “Nem todos os setores podem ser totalmente eletrificados, como o de transporte. Assim, a produção de combustíveis zero carbono a partir dessa tecnologia abre uma nova janela de oportunidades e também garante as condições na transição para a economia de baixo carbono”, observou.

O CEO da Porsche, Oliver Blume, destacou que a empresa acredita na eletrificação dos veículos, mas conhece as barreiras para isso – o que faz com que os combustíveis sintéticos sejam uma boa oportunidade para que o mundo alcance a economia de baixo carbono. “Temos a eletromobilidade como prioridade. Em 2020, um terço dos carros vendidos na Europa tiveram motor elétrico. Até 2030, a meta é chegar a mais de 80%. Mas sabemos que a nossa participação não é assim tão determinante e por isso ainda teremos carros com motores a combustão interna rodando nas ruas. Por isso, começamos o projeto-piloto no Chile”, disse.

América Latina é pilar para geração de hidrogênio, mas há desafios

De acordo com o CEO da Siemens Energy AG, Christian Bruch, a organização tem mais de mil compressores de hidrogênio instalados no mundo e esse é um negócio já consolidado nas estratégias da empresa.

“O hidrogênio verde é importante para descarbonizar. Precisamos ter em mente que, com a transformação da indústria energética, não estamos falando apenas sobre introdução de uma nova tecnologia, mas sim discutindo uma mudança fundamental no sistema energético, que vai requerer maciços investimentos na produção, transporte e distribuição. Então, temos que pensar em como podemos utilizar infraestruturas já existentes”, frisou.

Segundo o CEO da Agência Alemã de Energia (Dena), Andreas Kuhlmann, a América Latina tem papel essencial na estratégia de hidrogênio da Alemanha e de toda a Europa. “Não vamos conseguir obter todo o hidrogênio necessário para a descarbonização da Alemanha, nem da Europa. Precisamos ter um mercado global e as melhores opções são os países que conseguem produzir energias renováveis a baixo custo. Estes são os protagonistas”, disse.