Por Redação em 04/02/2021

Em um mundo com pressão crescente pela redução da poluição, o hidrogênio verde é apontado como uma solução para fornecer energia com menos emissões. Embora seja comum falar do hidrogênio como combustível para veículos, há outros usos possíveis. Não só o hidrogênio verde pode fornecer energia para prédios, mas pode substituir o carvão e o gás na indústria.

“Há também os usos do hidrogênio em indústrias que consomem muita energia. Este é o caso, por exemplo, da mineração, das refinarias, da produção de aço, da produção de amoníaco”, afirma Olivier Delprat, gerente de desenvolvimento de negócios da área de Gás da ENGIE Brasil.  Ele acredita, portanto que, essas indústrias podem, assim que for rentável, adotar o hidrogênio verde, seja como combustível seja como fonte de calor.

No caso da indústria siderúrgica, o hidrogênio verde substitui o gás natural no fornecimento de calor para os processos de produção.

Segundo o FCG JU, usar hidrogênio na fase de produção chamada de redução pode abater 150 milhões de toneladas de CO2 por ano na Europa. O FCH JU é uma parceria público-privada europeia para dar apoio à pesquisas e ao desenvolvimento de tecnologias para células de combustível e hidrogênio.

A mudança na indústria de aço é importante porque, segundo o FCH JU, este setor responde por 7% das emissões de CO2 no mundo.

Hidrogênio no transporte

O uso do hidrogênio verde para geração de calor pode servir a outros setores. É possível, por exemplo, usá-lo nas indústrias de cimento, químicos, refino de petróleo, e na produção de papel.

Na indústria química, o hidrogênio verde é um meio de descarbonização que exige menos adaptação das estruturas do que a eletrificação. Com menos mudanças, os custos da transição também ficam menores, explica o Hydrogen Roadmap Europe. O Roadmap é um relatório que apresenta os caminhos para a transição energética na Europa.

Neste sentido, com o auxílio da Unidade de negócios que se dedica ao hidrogênio verde, a ENGIE vem buscando promover a adoção desta fonte de energia do país. “Na ENGIE, estamos explorando o mercado, vendo quem, principalmente na indústria pesada, haveria interesse em converter suas fontes de energia para o hidrogênio”, explica Delprat.

No caso do uso como combustível para mobilidade, há também várias opções. “Pode ser utilizado em carro, ônibus, barco ou trem. Existem aplicações para todos esses modos de mobilidade, mas hoje ainda está pouco desenvolvido. Contudo, a tecnologia existe e pode ser desenvolvida em maior escala”.

Primeiramente, a ENGIE buscou a mineração e pretende, na sequência, contatar refinarias e grupos de mineração e siderurgia. A partir dessas conversas, a empresa vai desenvolver soluções conforme as necessidades dos setores.

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Preço ainda é empecilho para hidrogênio verde na indústria

Há, contudo, um empecilho à adoção mais ampla do hidrogênio: o custo. O fator aparece em um relatório do NRDC (sigla de Conselho de Defesa de Recursos Naturais), grupo americano de defesa do meio ambiente. O documento afirma que estas tecnologias “ainda são nascentes e/ou proibitivamente caras”.

Portanto, é necessário que os processos industriais mais limpos se tornem mais acessíveis em termos de custo. Além disso, precisam ficar disponíveis para um público maior, ao longo da próxima década, para que se alcancem as metas de descarbonização.

De acordo com Delprat, enquanto algumas indústrias abraçam o hidrogênio verde por questões ambientais, em outras, o preço acaba falando mais alto.

“Hoje em dia, esse segundo fator (impacto ambiental) é mais presente em empresas multinacionais com presença no Brasil e que têm políticas de redução de emissão de gases estufa globais”, avalia. “Eu acho que a consciência ambiental está crescendo no Brasil, mas para empresas brasileiras, a minha impressão é que esse fator de impacto ambiental ainda não é o maior”, acrescenta.

Setor precisa ganhar escala preço ficar competitivo

Portanto, ele acredita que as empresas só vão migrar do diesel ou gás natural para o hidrogênio quando este custar menos que o combustível substituído. E a forma de solucionar o dilema do preço é buscar o ganho de escala. Isso, contudo, não deve demorar, pois o hidrogênio vive um boom, especialmente em países desenvolvidos, lembra Delprat.

“Conforme for crescendo o mercado, vão se fabricar mais equipamentos para produzir hidrogênio. E, produzindo mais equipamentos, o preço das tecnologias e dos equipamentos tende a baixar. A gente observou isso na produção de eletricidade a partir da energia solar e eólica, conforme a produção passou da pequena para a grande escala”, explica.