Por Redação em 16/12/2020

A Associação Internacional de Hidreletricidade (IHA, na sigla em inglês) lançou uma consulta pública para ajudar a criar um padrão global de para avaliação e certificação das hidrelétricas em relação à sustentabilidade. A consulta pública fica aberta até dia 8 de fevereiro de 2021. Dependendo dos resultados da consulta, será atribuído uma nota ou um selo de sustentabilidade para projetos, independentemente de tamanho, localização ou estágio de desenvolvimento.

Segundo Gil Maranhão Neto, Conselheiro eleito representando o Brasil no IHA, “esse é um anseio antigo da coalizão de stakeholders que criou o Protocolo de Sustentabilidade de Hidrelétricas – formado por investidores-operadores, Organizações Não-Governamentais, governos e financiadores de hidrelétricas”.

O ponto de partida é o conjunto de ferramentas já existentes para orientar o desenvolvimento, construção e operação de hidrelétricas, desenvolvidas por um grupo multidisciplinar de stakeholders ao longo de anos, que podem ser acessadas em www.hydrosustainability.org. Essas ferramentas definem e medem a sustentabilidade em hidreletricidade, fornecendo uma linguagem comum para que os diversos stakeholders discutam e avaliem a sustentabilidade de projetos. São 3 ferramentas, que são complementares:

  • HGIIP – Guia de Boas Práticas Internacionais para Sustentabilidade de Hidrelétricas
  • HSAP – Protocolo de Avaliação de Sustentabilidade de Hidrelétricas
  • HESG – Ferramenta de Gap Analysis de ESG em Sustentabilidade de Hidrelétricas

A ideia é usar estes princípios como base para os novos parâmetros. Em maio deste ano, a associação atualizou os parâmetros originais para incluir a necessidade de consentimento de povos indígenas para alguns novos projetos.

Usinas hidrelétricas são fundamentais no processo de transição energética para um futuro de baixo carbono. Portanto, “é preciso garantir que as hidrelétricas sejam sustentáveis”, afirmou o presidente da IHA, Roger Gill, em entrevista recente ao Além da Energia.

Selo de sustentabilidade de hidrelétricas dá garantia a investidores

Assim, surgiria uma espécie de nota, ou selo, para os projetos. Na avaliação da IHA, o reconhecimento do esforço das empresas poderia incentivar as melhores práticas, o que ajudaria a identificar projetos que se enquadram nos valores ESG, ou seja, aqueles que seguem exigências ambientais, sociais e de governança. É cada vez mais comum que investidores levem em consideração estes critérios quando tomam suas decisões.

Para Eddie Rich, diretor executivo da IHA, o novo padrão incentiva projetos de alta performance. “Isso daria a stakeholders locais, nacionais e internacionais a garantia vital que buscam de que um projeto hidrelétrico é verificado de forma independente”, conclui.

Além disso, o indicador poderia se ligado a instrumentos financeiros como os green bonds, ou títulos verdes. Esses instrumentos são uma sinalização de que o projeto que quer captar aqueles recursos está ligado à sustentabilidade.

O novo indicador também poderia servir para sinalizar se o projeto cumpre critérios de instituições de fomento internacionais como o Banco Mundial, por exemplo.

“Isso será um grande avanço para o setor” avalia Gil Maranhao Neto. Em 2012, a Hidrelétrica Jirau no Brasil foi avaliada durante a sua construção por auditores externos profissionais, usando o Protocolo de Avaliação de Sustentabilidade de Hidrelétricas. “O relatório, que está disponível no website do Protocolo, deu boas orientações de como tornar um projeto que já era referência em sustentabilidade a ser ainda melhor em alguns aspectos, ao trazer uma visão do que são as melhores práticas internacionais para cada assunto”.