Por Redação em 23/04/2021

Um sistema de monitoramento de consumo de energia com inteligência artificial, capaz de identificar de forma remota qual equipamento de uma empresa está gastando mais do que deveria. E que permite que o empresário adote uma estratégia de redução do consumo de energia elétrica. Esse é o desagregador virtual de energia elétrica, desenvolvido pela startup ShiftOne Inteligência Artificial, em parceria com o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Virtuais de Produção (ISI SVP), da Firjan, no contexto de uma chamada pública aberta pela ENGIE em 2019.

O projeto foi selecionado como uma das quatro ideias inovadoras daquele edital e está em fase final de desenvolvimento. “Esse edital da ENGIE foi vital para nós. Por meio desse tipo de parceria, as startups estão inaugurando um novo momento da ciência no Brasil, onde ela está encontrando o seu lugar na iniciativa privada. As startups são o meio pelo qual o investidor está descobrindo que ciência dá dinheiro”, comemora o sócio fundador e cientista de dados da ShiftOne, empresa sediada em Florianópolis (SC), Marlon Henrique Teixeira.

O desagregador virtual de energia funciona via redes neurais artificiais treinadas para identificar o consumo de cada aparelho em relação ao gasto total de uma unidade consumidora. Assim, o sistema é treinado para identificar cada tipo de consumo e fornecer dados precisos. Pelo protótipo desenvolvido, o consumo poderá ser acompanhado por site ou aplicativo de celular.

O sistema foi desenvolvido com foco em lojas de departamentos e supermercados. O cientista explica que até então, para fazer esse tipo de monitoramento, era preciso instalar um medidor em cada aparelho/máquina que consome energia dentro dessas unidades. Com o desagregador virtual, é possível ler uma espécie de assinatura eletrônica da carga de forma separada e fazer o monitoramento de forma totalmente remota.

Inteligência artificial para identificar oportunidades comerciais

Atualmente, o projeto teve sua primeira fase concluída e as empresas estão estudando a melhor forma de introduzi-lo no mercado. A ideia é adaptar o desagregador virtual para atender às necessidades comerciais da ENGIE. Por exemplo, até então, o monitoramento virtual é realizado com base em medições de consumo colhidas de 15 em 15 minutos, o que limita a variedade de aparelhos que pode ser monitorada. A startup está trabalhando para reduzir esse intervalo para 4 segundos e, assim, aumentar a precisão no monitoramento virtual, a variedade de equipamentos, assim como o número de segmentos de consumidores que poderão se beneficiar do aplicativo.

As duas empresas já planejam outras parcerias de invocação. Em uma dessas negociações, estudam o desenvolvimento de um dispositivo inteligente capaz de identificar clientes com intensidade de uso energético acima da média. Com isso, a empresa conseguiria identificar oportunidades de realizar ações de eficiência energética muito mais precisas nos seus resultados.

Em uma terceira ação, a empresa vem avaliando, junto com o Follow Energy, a possibilidade de desenvolver um aplicativo capaz de para identificar aparelhos – sobretudo ar condicionados –  que estão com funcionamento anormal e que indicam que terão que ser substituídos em breve. Por último, a empresa catarinense já trabalha no desenvolvimento de um desagregador de CO2 que pretende reduzir a emissão de gases de efeito estufa.

A parceria tem se mostrado muito fértil, pois a partir dos dados obtidos pelos sistemas de medição, a ENGIE tem informações precisas sobre as necessidades dos clientes e pode oferecer soluções que permitirão a redução do consumo de energia, troca de aparelhos defeituosos e a redução das emissões.

Parceria provocou mudança de posicionamento na ShiftOne

Todos esses desenvolvimentos fizeram com que a ShiftOne mudasse de direção e passasse a se posicionar como uma empresa voltada para questões de meio ambiente. Inclusive, está mudando o nome para Deep Ambiente.  “Nós éramos uma empresa genérica de análise de dados. Todos esses projetos provocaram uma mudança de rumo, fazendo com que nos tornássemos uma empresa de inteligência artificial no paradigma de redução do impacto ambiental. Por isso o nome Deep Ambiente; “Deep” vem de deep learning, uma das tecnologias mais importantes hoje, e ambiente fala por si só.”, conta Marlon.

O cientista (ou sócio) da ShiftOne explica que esse tipo de parceria é muito importante para o desenvolvimento das startups. “Nós tínhamos a tecnologia, mas não tínhamos os dados para utilizá-la. Essa parceria com a ENGIE nos possibilitou acesso a esses dados e pudemos desenvolver algo com uma aplicação muito certeira com a pegada de eficiência energética e redução de emissões”, celebra.

Para a ENGIE, essas parcerias têm o mérito de criar um ambiente colaborativo de inovação. “Os projetos selecionados nos trouxeram ganhos que vão muito além dos produtos desenvolvidos. A experiência de ter nossa corporação trabalhando em equipes mistas e aplicando uma metodologia ágil de gestão dos projetos abriu a visão de todos os envolvidos, criando um ambiente colaborativo de inovação”, conta Carlos Gothe, gerente de Inovação da ENGIE.