Por Redação em 03/04/2020

Maior geradora privada de energia elétrica no Brasil, a ENGIE está engajada proativamente em tornar-se líder na transição energética rumo a uma economia de baixo carbono, segundo o CEO da ENGIE Brasil, Maurício Bähr, em entrevista concedida ao Além da Energia. No mercado global, a empresa também é uma das líderes deste segmento, sendo referência em energia renovável e serviços de baixo carbono. Confira a entrevista na íntegra:

Como tem sido a atuação da ENGIE no Brasil?

Atuamos há 22 anos no país. Somos a maior produtora privada de energia elétrica do Brasil, com capacidade instalada própria de mais de 10 GW em 61 usinas, o que representa cerca de 6% da capacidade do país. Atualmente, quase 90% da capacidade instalada da empresa vêm de fontes renováveis e com baixas emissões de gases de efeito estufa (GEE), como usinas hidrelétricas, eólicas, solares e biomassa. Também atuamos em soluções energéticas e de infraestrutura para empresas e territórios, como iluminação pública, sistemas de controle de tráfego, monitoramentos urbanos diversos, sistemas de ar condicionado, dentre outros. E, desde o ano passado, com a aquisição da TAG, ingressamos na cadeia de valor do gás com a maior rede de gasodutos de transporte de gás do Brasil.

Quais são as metas da empresa no país?

Nossa ambição é ser líder da transição energética rumo a uma economia de baixo carbono, atuando muito próximo das necessidades energéticas de nossos clientes.

De que forma a ENGIE pretende fazer isso?

Estamos contribuindo com a tendência global de clientes buscarem cada vez mais fontes renováveis de energia. Entre as soluções de descarbonização da ENGIE, a principal delas é a geração e transmissão de energia elétrica a partir de fontes renováveis, como hidrelétricas, eólicas, biomassa e solar. Também temos créditos de carbono, que oferecem reduções certificadas de emissões de gases de efeito estufa, contratos de energia renovável (ENGIE-REC) e certificados de energia renovável (I-REC).

Oferecemos ainda soluções de eficiência energética, gestão de energia, consultoria e monitoramento, iluminação pública com lâmpadas eficientes (LED) que também buscam a racionalização do uso da energia e propiciam a descarbonização de processos produtivos.

Como o senhor avalia o mercado de crédito de carbono? Quais foram os avanços, desde o Protocolo de Kyoto no Brasil e no mundo?

O mercado de carbono está sendo discutido em nível global, com temas como: precificação e a migração dos créditos gerados pelo MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), criado no Protocolo de Kyoto (1997), para o Mecanismo de Desenvolvimento Sustentável, estabelecido pelo Acordo de Paris (2015). No Brasil, não existe ainda uma regulamentação para um mercado nacional de crédito de carbono, mas o mercado voluntário está crescendo consistentemente e é nele que nos inserimos.

Nossa ambição é ser líder da transição energética rumo à economia de baixo carbono, atuando muito próximo das necessidades energéticas de nossos clientes.

O senhor poderia citar alguns exemplos sobre a atuação da ENGIE no mercado de créditos de carbono?

Pelo segundo ano consecutivo, o Banco Itaú renovou a parceria com a ENGIE para a compensação da emissão de gases de efeito estufa por meio da compra de créditos de carbono da Unidade Cogeração de Lages, usina a biomassa da ENGIE, localizada na região serrana de Santa Catarina. O banco compensou em 2019 suas emissões de forma totalmente voluntária, 35.354 toneladas de CO2 relacionadas às emissões de GEE reportadas em 2018. Outro exemplo positivo é a parceria com o Rio Open, torneio internacional de tênis, que foi pela primeira vez neutro em emissões de CO2 por meio da cessão de crédito de carbono da Usina de Jirau, que tem como sócios a ENGIE, Eletrobras e Mitsui.

Em relação à energia solar fotovoltaica, como é a atuação da empresa?

Nossa atenção tem sido para o desenvolvimento da energia solar distribuída. Já temos mais de 2.500 instalações em geração solar distribuída e estamos investindo em comunidades solares de até 5 MW para aqueles que não têm espaço em seus telhados. Nosso foco de atuação está voltado, atualmente, a clientes empresariais industriais e comerciais. No mercado de energia fotovoltaica distribuída temos visto uma concorrência crescente e a entrada de inúmeras empresas oferecendo a instalação de painéis. Isso aumenta o leque de opções para os clientes, mas também reforça a necessidade de que a escolha considere a melhor proposta, aquela da empresa mais robusta e com capacidade de oferecer outras soluções energéticas.

Quais são as perspectivas para a geração de energia?

A ENGIE tem no Brasil um histórico de desenvolvimento, construção e operação de hidrelétricas, fonte de energia limpa, renovável e firme – nossa maior fonte de energia no Brasil. Infelizmente, por vários motivos o setor elétrico brasileiro interrompeu, momentaneamente, a preparação de projetos para leilão de concessão, ou seja a elaboração dos estudos dos impactos socioambientais e de projetos de engenharia.

energia eolica

Mais recentemente, a geração eólica se tornou um dos principais vetores de crescimento da ENGIE no Brasil. Colocamos em operação comercial em abril de 2019 a Fase 1 do Conjunto Eólico de Umburanas, na Bahia, com investimentos de R$ 1,8 bilhão e capacidade instalada de 360 MW. Temos a previsão de desenvolver a segunda fase do projeto, com mais 360 MW de capacidade, integralmente viabilizada por contratos vendidos no mercado livre de energia.

Estamos implantando a segunda fase do Conjunto Eólico de Campo Largo, na Bahia. A previsão é que o conjunto entre em operação no final de 2020 com as últimas unidades geradores concluídas em março de 2021, com um volume de investimentos estimado em R$ 2 bilhões e capacidade de 361 MW. A geração de energia elétrica oriunda do conjunto será vendida 100% para o mercado livre. Mais de cem contratos já foram firmados no mercado livre para viabilizar o projeto.

Quando entrar em operação comercial, Campo Largo 2 vai fazer com que a ENGIE ultrapasse 1 GW de capacidade instalada em energia eólica no Brasil, considerando Campo Largo 1 e 2 e Umburanas (na Bahia) e Trairi (no Ceará).

A ENGIE também passou a atuar recentemente no mercado de gás natural, que constitui um importante produto para a transição energética. Quais são os planos da ENGIE para a cadeia do gás?

Em parceria com a investidora institucional global CDPQ investimos R$ 33,5 bilhões na aquisição da Transportadora Associada de Gás (TAG), que possui a mais extensa malha de gasodutos do País. Esta é uma ação importante para a ENGIE, pois a TAG viabiliza a descarbonização na medida em que novas indústrias e outros grandes consumidores troquem diesel, óleo combustível e outros derivados de petróleo pelo gás natural, o hidrocarboneto que menos emite CO2. O mesmo se dará com o uso do gás na geração térmica, no lugar de usinas diesel ou óleo combustível. Na ENGIE, acreditamos que o gás natural é o combustível da transição energética porque garante fornecimento firme que supre a intermitência das fontes complementares, como eólica, biomassa e solar, que são, por natureza, intermitentes.

Quais são os outros investimentos na cadeia do gás natural que devem ser priorizados pela ENGIE?

Avaliamos agregar novos investimentos, como estocagem, distribuição e biogás, sempre com a mesma lógica de descarbonizar a matriz energética brasileira.

Considerando a transição energética e a eletrificação de veículos, a ENGIE também pretende investir em mobilidade?

Uma de nossas soluções está relacionada diretamente à eletrificação das frotas. Globalmente, a ENGIE é a maior fornecedora de carregadores de carros elétricos, com mais de 75 mil unidades em funcionamento. Recentemente, aqui no Brasil, assinamos contrato com a AUDI para o fornecimento de 200 carregadores, neste que o maior projeto de infraestrutura de carros elétricos do País até o momento.

Sobre a ENGIE

A ENGIE é a maior empresa privada de energia do País, atuando em geração, comercialização e transmissão de energia elétrica, transporte de gás e soluções energéticas e de infraestrutura. Além disso, a empresa está engajada proativamente em tornar-se líder na transição energética rumo a uma economia de baixo carbono. No mercado global, a empresa também é uma das líderes deste segmento, sendo referência em energia renovável e serviços de baixo carbono.

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