Por Redação em 01/04/2021

Thaís Santos de Andrade, hoje analista de Logística Operacional da TAG, empresa que tem a ENGIE e CDPQ como acionistas e possui a malha mais extensa de gasodutos no pais, ressalta que seus pais sempre a deixaram livre para as próprias escolhas, seja nas brincadeiras de rua com a irmã e outras crianças, seja na decisão pela atividade profissional.

“Cresci em uma pequena cidade (Itamarandiba), no Vale do Jequitinhonha. Meu pai, apesar do pouco estudo, foi uma das grandes inspirações da minha vida e o responsável por aflorar, em mim, o espírito da engenharia. Minha mãe, por sua vez, me mostrou valores como persistência, resiliência diante de dificuldades e é minha referência de força, garra, determinação e coragem”, diz Thaís.

Segundo a analista, o exemplo dos pais e a sua persistência foram as razões de sua motivação. Em sua infância, a mãe trabalhava como técnica de enfermagem, em plantões noturnos, e o pai, pedreiro, era responsável pelos cuidados com ela e sua irmã.

O mundo não é fácil para as mulheres

“A cidade era muito segura e brincávamos na rua, com os meninos, jogando futebol. Para mim, nunca houve brincadeira de menina ou de menino, éramos todos crianças”, conta. “Apesar de ter crescido em um ambiente no qual cada centavo era contado, o privilégio de ter sido criada em uma cidade do interior do país me proporcionou uma infância memorável ”, destaca.

No entanto, ela se recorda que os pais sempre frisavam a importância de estudar muito, pois “o mundo não era fácil, principalmente para mulheres”. Assim, Thaís conta que cresceu com o pensamento e sentimento de que ser mulher não é um fator limitante.

“Como sempre fui uma pessoa muito curiosa, observadora e questionadora, escolhi cursar a faculdade de engenharia de petróleo e, a partir daí, comecei a me deparar com os mais diversos desafios”, afirma.

Vários desafios

A analista conta que, diante das adversidades econômicas, um de seus primeiros desafios foi ter que escolher uma universidade que fosse viável para as condições financeiras da família. “Minha irmã cursava faculdade em outra cidade. Meus pais não tinham condições de manter cada filha em um lugar distinto”, conta.

“Vim de uma realidade que é comum à maior parte dos brasileiros. Sempre estudei em escolas públicas, não tive acesso às melhores ferramentas de estudo, não tive nenhum facilitador. Nada veio fácil”, destaca Thaís.

Muito estudo, bolsa integral e exemplo de mulheres incríveis

Ao escolher a profissão, Thaís constatou que poucas universidades ofereciam o curso de Engenharia de Petróleo. “As melhores ficavam no Rio de Janeiro, onde eu poderia fazer o curso noturno e trabalhar durante o dia, além de morar na casa de uma tia materna. Tudo o que eu precisava era conseguir uma bolsa de estudos integral”, destaca.

Após muita pesquisa, ela conseguiu a sonhada bolsa na Universidade Estácio de Sá. “Mas isso era só o começo. Quando cheguei no Rio, aos 17 anos, o primeiro choque que senti foi o cultural: a sensação era de que estava em outro país. A forma de agir das pessoas era diferente, assim como o sotaque, o calor e até a violência”, conta. De acordo com ela, o apoio das tias maternas e de sua prima foram fundamentais para superar as dificuldades.

“São mulheres incríveis. Sinto-me privilegiada de ter contado com exemplos de garra, fibra e força. Elas sempre me inspiraram e me motivaram a nunca desistir”, frisa.

Ainda durante a faculdade, Thaís estagiou na TAG e na TBG.  Faltando ainda um semestre para concluir o curso superior, recebeu um convite para voltar à TAG, desta vez como funcionária efetivada.

“Ser mulher não me  limita”

“Desde então, venho construído minha história e minha carreira no setor de planejamento operacional da transportadora. Enfrentei muitos desafios, tanto na vida pessoal quanto profissional, e sou muito grata por minhas conquistas. O fato de eu ser mulher e ainda jovem (25 anos), não me limita nem me restringe em nada”, afirma.

Segundo Thaís, o movimento feminista está vivendo o seu momento de maior presença e impacto nas vidas das pessoas. “As lutas que tantas mulheres iniciaram há anos estão ganhando cada dia mais força e ajudando a quebrar muitas barreiras. Vejo muitas mulheres em cargos de liderança, conquistando cada vez mais espaço no mundo técnico. Isso me inspira muito, porém, ainda percebo que ainda não temos a mesma liberdade que os homens para se expressar e para tomar decisões, principalmente na vida pessoal”, diz.

“Por exemplo, é super comum ver pessoas que admiram homens que são firmes em seus posicionamentos, mas quando uma mulher tem o mesmo comportamento, é taxada como agressiva e inflexível. Quantas mulheres não vivem o dilema de optar pela maternidade, pelo medo disso impactar negativamente suas carreiras? Isso ocorre pelo fato de que não temos a mesma liberdade e flexibilidade que os homens possuem”, finaliza.