Por Redação em 18/02/2021

Empresas dos mais diferentes setores econômicos vêm definindo metas para reduzir suas emissões, contudo, elas ainda fazem pouco quando o assunto é a poluição indireta.  De acordo com relatório da Climate Action 100+ (CA100+) — iniciativa de investidores que analisa o compromisso das empresas com a redução de emissões —, apenas 10% das metas incluem o combate à poluição indireta.

As emissões de Escopo 3 são aquelas que não decorrem diretamente da atividade de uma empresa, mas sim no ciclo de vida do produto. Imagine a Apple, por exemplo, e o iPhone. Entram no escopo 3 as emissões com a extração da matéria prima para produzir o celular, para transportá-lo, entre outras.

Reduzir poluição indireta em óleo e gás é desafio

O relatório considera as metas de 160 empresas que investidores consideram ter emissões significativas de gases do efeito estufa e/ou que são “críticas para a transição para as emissões líquidas de zero” carbono e para cumprir as metas do acordo de Paris.

Das 160 empresas, 39 são do setor de óleo e gás; 31 de utilities; 26 da indústria; outras 26 de transporte; 23 de mineração; e 15 de outros setores, incluindo consumo. Estão na lista nomes como BP, Unilever, American Airlines e Ford, por exemplo.

O relatório afirma que a maioria das metas no setor de óleo e gás não inclui o Escopo 3 das emissões dos produtos dessa empresa, que são a principal fonte material de poluição na área.

Contudo, não é só na poluição indireta que as empresas com metas de emitir menos ainda falham. Apesar dos compromissos, as empresas aprovaram 194 novos projetos de óleo e gás em desacordo com as metas de Paris. Além disso, 68% planejam gastos com óleo e gás que também vão de encontro aos termos do Acordo.

Montadoras estão distantes do investimento necessário

O relatório também alerta que as fabricantes de veículos ainda estão distantes do “investimento necessário para mudar as tecnologias em um ritmo apropriado dos motores de combustão interna para veículos híbridos e elétricos”, diz o texto.

Pelo lado positivo, no entanto, dobrou a porcentagem de empresas de utilities elétricas com planos para desativar suas unidades de carvão. Em 2019, 13% tinham planos deste tipo condizentes com as metas do Acordo de Paris; em 2020, elas eram 26%.

O grupo de investidores que pressionam por maior ação quanto a medidas climáticas vem crescendo. Com as entradas recentes de grandes nomes como o da gestora Blackrock, por exemplo, o grupo chegou aos 545 signatários. Juntos, eles gerem US$ 52 trilhões de ativos.